Greve na limpeza faz hospital adiar cirurgias

Hospital ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro suspendeu operações por dois dias nesta semana, após funcionários da limpeza pararem

CLARISSA THOMÉ / RIO , O Estado de S.Paulo

16 Março 2012 | 03h06

O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, localizado na Ilha do Fundão e ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, suspendeu cirurgias durante dois dias por conta de uma greve de funcionários da limpeza, iniciada na segunda-feira. Os funcionários voltaram a trabalhar ontem.

O hospital, referência em atendimento de doenças de alta complexidade, também não pôde realizar um transplante de rim. A operação foi feita no Hospital Estadual Pedro Ernesto.

Em nota, a instituição diz que os procedimentos foram suspensos preventivamente e não por "falta de higiene".

Os servidores terceirizados da Protec Serviços Técnicos interromperam a limpeza por atraso nos pagamentos. Funcionários que prestam serviço para a reitoria da UFRJ foram deslocados para o hospital universitário. Apesar disso, o lixo se acumulou nos corredores, nas enfermarias e nos banheiros.

A dona de casa Edilene Amaral André, de 46 anos, que acompanha a mãe, internada na unidade, contou que a situação ficou tão insuportável que ela própria decidiu limpar os banheiros. A cirurgia da mãe dela, marcada para segunda-feira, teve de ser cancelada e foi realizada dois dias depois. "Eles fizeram uma operação só, porque não tinha quem limpasse o centro cirúrgico depois", contou a dona de casa, que registrou queixa na ouvidoria do hospital.

Outra acompanhante, que se identificou apenas como Arlete, contou que os funcionários tiravam apenas o lixo maior deixado nos corredores. "Minha filha está internada na oncologia, faz quimioterapia. É claro que a gente fica com medo de ela ter alguma infecção, porque a saúde já está debilitada e lixo atrai rato, barata. Tem lixo nos banheiros, na enfermaria", comentou.

De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, 197 pacientes estão internados na instituição e o atendimento será normalizado hoje - estão marcados para hoje cerca de 1,2 mil consultas e 29 procedimentos cirúrgicos.

Em nota, a assessoria afirmou que o atraso no pagamento ocorreu porque a empresa não apresentou, no segundo semestre de 2011, documentos que comprovassem "a quitação de obrigações sociais com os contratados". O texto também diz que a situação "foi solucionada entre as partes".

O Estado procurou a Protec Serviços Técnicos, cujo CNPJ indica que a empresa tem sede em Juquitiba (SP), mas não localizou nenhum representante.

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