Haitianos ainda esperam ajuda prometida pelo mundo após tremor

Líderes mundiais prometeram ajuda para reconstruir o Haiti, mas nas ruas da capital destruída os sobreviventes do terremoto ainda esperam por comida, água e medicamentos.

ANDREW CAWTHORNE E CATHERINE BREMER, REUTERS

17 de janeiro de 2010 | 10h02

Quatro dias depois do terremoto que matou até 200 mil pessoas, equipes de resgate internacionais ainda estavam encontrando pessoas vivas debaixo dos escombros de prédios em Porto Príncipe.

Centenas de milhares de haitianos famintos esperam desesperadamente por ajuda, mas problemas logísticos não deixam que a maior parte da ajuda chegue às vítimas, muitas abrigadas em acampamentos improvisados nas ruas, em meio a destroços e corpos em decomposição.

Na ausência generalizada de autoridade, saqueadores invadiram lojas destruídas no principal bairro comercial da cidade, levando camisetas, malas, brinquedos e tudo o mais que puderam encontrar. Houve luta entre grupos de saqueadores, que portavam facas, picadores de gelo, martelos e pedras.

Muitos haitianos saíram da cidade a pé ou em carros lotados para tentar encontrar alimentos e abrigos no interior e para fugir da violência. Vários outros lotaram o aeroporto na esperança de entrar nos aviões, que saíram lotados de haitianos.

O presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu ajuda enquanto a secretária de Estado, Hillary Clinton, voava para o Haiti, onde o governo ainda em choque deu aos EUA controle sobre o congestionado aeroporto para que cuide dos voos humanitários que chegam de todo o mundo.

"Vamos seguir adiante com um dos maiores esforços de ajuda da nossa história a fim de salvar vidas e entregar ajuda para evitar uma catástrofe ainda maior", disse Obama, ao lado dos ex-presidentes George W. Bush e Bill Clinton.

CAOS

Mas nas ruas de Porto Príncipe, onde raras patrulhas da polícia disparam tiros ocasionais e gás lacrimogêneo para dispersar saqueadores, a distribuição de ajuda parece ser feita ao acaso e de maneira caótica e mínima.

No centro da cidade, jovens eram vistos com armas de fogo. E membros de gangues fortemente armadas, que já controlaram a maior favela do Haiti, Cité Soleil, voltaram como senhores da guerra depois que o terremoto destruiu a Penitenciária Nacional, permitindo que 3 mil detentos fugissem.

"É natural que eles voltem para cá. Esse sempre foi o bastião deles", disse um policial haitiano em uma favela que abriga mais de 300 mil pessoas.

Houve briga por comida e água quando helicópteros do Exército dos EUA jogaram caixas de água engarrafada e rações.

"A distribuição é totalmente desorganizada. Eles não estão identificando as pessoas que precisam de água. Os doentes e idosos não têm nenhuma chance", disse Estime Pierre Deny, no meio da multidão.

Quatro dias depois do terremoto de magnitude 7, tremores adicionais foram sentidos a cada hora na capital, aterrorizando os sobreviventes e derrubando os poucos prédios que ainda estavam de pé.

Destacando a necessidade de manter os esforços de resgate, uma equipe russa tirou duas meninas haitianas ainda vidas, Olon Remi, de 9 anos; e Senviol Ovri, de 11; das ruínas de uma casa no sábado.

Equipes de resgate dos EUA trabalharam a noite toda para desenterrar sobreviventes de um supermercado, onde cerca de 100 pessoas podem estar presas. Eles estavam quase desistindo quando ficaram sabendo que uma caixa do supermercado conseguiu falar por telefone com alguém em Miami para dizer que ela ainda estava viva.

O ministro do Interior, Paul Antoine Bien-Aime, disse que cerca de 50 mil corpos já foram coletados e que o total de mortos pode ficar entre 100 mil e 200 mil.

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