Indústria amplia capacidade e CNI vê retomada 'gradual'

Utilização da capacidade instalada atinge 81,4% em novembro, nível mais alto desde outubro de 2008

Sandra Manfrini, O Estadao de S.Paulo

22 de janeiro de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Os indicadores industriais de novembro de 2009 apontam para a consolidação do processo de retomada da atividade do setor, com aumento do nível de utilização da capacidade instalada (Nuci), que atingiu 81,4% (dados dessazonalizados), o mais alto desde outubro de 2008 (82,4%). Os números foram divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que vê espaço para uma maior expansão desse indicador em 2010, sem que isso represente uma necessidade de elevação da taxa de juros.

"O crescimento (do Nuci) ainda está abaixo do período pré-crise e a recuperação está se dando de maneira gradual. Por isso, não acredito em pressão inflacionária", disse o gerente executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, acrescentando que há espaço para a expansão do nível de utilização da capacidade instalada, que esteve em 84,5% em novembro de 2007, ano anterior à crise internacional.

Se comparado a outubro de 2009, o Nuci de novembro cresceu 0,3 ponto porcentual e marca o quinto mês seguido de expansão. Em relação a novembro de 2008, o aumento é de 0,4 ponto porcentual.

O indicador dessazonalizado do faturamento real da indústria em novembro também aponta crescimento de 1,3% em comparação com outubro de 2009. Em relação a novembro de 2008, a expansão foi de 8,4%, mas a CNI destaca que esse resultado foi inflado por causa da baixa base de comparação.

Já as horas trabalhadas na produção apresentaram crescimento mais intenso em novembro (2,6% ante outubro), confirmando, na avaliação da CNI, o quadro de retomada. Na comparação com novembro de 2008, no entanto, o indicador ainda apresenta queda de 3,6%.

O emprego industrial manteve a trajetória de recuperação e cresceu 0,8% no período, a maior taxa de expasão desde março de 2004. "O emprego na indústria ainda fechará 2009 em queda", disse o economista da CNI Marcelo de Ávila. "A atividade industrial vai voltar a ritmos expressivos de antes da crise. A indústria deve ser o setor que mais vai gerar empregos em 2010."

A retomada da atividade industrial, no entanto, segundo prevê a CNI, será mais intensa se houver um momento de retomada do comércio mundial.

"Os setores que atendem à demanda doméstica sofreram menos que os que dependem da demanda externa. Esta ainda não se recuperou totalmente, o que é agravado pelo problema do câmbio. Por isso, os projetos de investimento nesse segmento vão demorar um pouco mais para reagir", avaliou Castelo Branco, que já vê sinais fortes de investimento nos setores voltados ao consumo interno. Para ele, a indústria, que em 2009 foi um dos setores que mais sentiram os efeitos da crise, em 2010 vai puxar o crescimento.

Com relação à melhora da atividade para o setor exportador, o economista defende a desoneração tributária como forma de incentivo à competitividade. "Como o câmbio é mais difícil (de haver mudanças), a desoneração tributária é o caminho para reduzir custos."

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