Irã impõe exigências à AIEA para aderir a pacto

Apesar de aceno positivo, Teerã reluta em enviar seu urânio para enriquecimento na Rússia

Reuters e NYT, TEERÃ, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse ontem estar "pronto para cooperar com o Ocidente", embora a imprensa estatal iraniana tenha dito, no mesmo dia, que Teerã só enviará seu urânio para ser processado no exterior de forma escalonada - e ao mesmo tempo em que o Ocidente abastecer o regime com combustível para seus reatores. Isso permitiria que o Irã mantivesse seu estoque de material nuclear sempre alto, mesmo enquanto cumprisse a exigência da proposta de Viena.

"Se a posição do Irã for essa, ela não levará a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) a lugar nenhum", disse um diplomata ocidental que participa das negociações.

As declarações de Ahmadinejad e da mídia estatal do Irã coincidem com a entrega de uma "resposta inicial" do regime - ainda desconhecida - à proposta feita há uma semana por EUA, França, Rússia e pela AIEA. Mesmo sem fazer referência direta à proposta, Ahmadinejad deixou claro que "felizmente, as condições para uma cooperação atômica internacional estão dadas".

A proposta de Viena prevê que Teerã envie até o fim do ano aproximadamente 75% de seu urânio de baixo enriquecimento (1.200 quilos) para ser processado na Rússia. Moscou enviaria o material enriquecido a 20% para a França que, depois de transformá-lo em combustível nuclear, o embarcaria de volta para o Irã em condições de uso apenas para fins pacíficos. Com isso, as potências ocidentais esperam evitar quer o Irã alcance capacidade para produzir uma arma nuclear.

O regime diz que só aceitaria o acordo se não for obrigado a embarcar seu urânio para a Rússia num carregamento único. A outra condição é a de que Teerã receba urânio enriquecido do Ocidente ao mesmo tempo em que envia seu próprio urânio para a Rússia. O chefe da AIEA, Mohamed ElBaradei, disse esperar que "um acordo seja alcançado em breve".

Ontem, os inspetores da AIEA que visitaram as instalações nucleares na cidade iraniana de Qom embarcaram de volta a Viena depois de uma semana de trabalho. Teerã só aceitou a inspeção depois de o Ocidente descobrir a existência da usina secreta de Qom, em setembro.

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