Islamistas ficam perto de ganhar eleição parlamentar no Marrocos

O partido islamista moderado do Marrocos PJD se encaminha para ganhar uma eleição parlamentar, de acordo com os resultados parciais de sábado, no que seria a segunda vitória para os islamistas da região embalados pelas revoltas da "Primavera Árabe".

SOUHAIL KARAM, REUTERS

26 de novembro de 2011 | 16h58

Resultados preliminares da votação de sexta-feira indicam que o PJD vai liderar uma coalizão de governo, em parceria com o partido secular do primeiro-ministro que está deixando o posto e dois outros grupos.

A vitória no mês passado de um movimento islâmico moderado na primeira eleição democrática da Tunísia - o país onde começou a Primavera Árabe - repercutiu no mundo Árabe.

O Marrocos não teve uma revolução como as outras que aconteceram na região, e seu governante, o rei Mohammed, continua firme no poder. Mas ele conseguiu a aprovação de reformas limitadas, para evitar uma revolta, e o PJD se aproveitou de um ressurgimento de islamistas na região.

O partido disse que vai promover o financiamento do islamismo, porém não pretende impor um código de moral rígido à sociedade e garantiu ser leal ao monarca.

Anunciando a contagem de votos parcial da eleição de sexta-feira, o ministro do interior, Taib Cherkaoui, disse durante uma entrevista coletiva que o PJD estava se encaminhando para ter a maioria no Parlamento.

Com resultados para 288 dos 395 assentos do Parlamento, o PJD tinha 80 assentos, disse Cherkaoui, cujo ministério organizou a eleição. O partido Istiqlal, liderado pelo atual primeiro-ministro Abbas Al Fassi, estava em segundo lugar, com 45 assentos, disse ele.

Ao ser perguntado se o seu partido estava disposto a formar uma coalizão com o PJD, Al Fassi disse aos repórteres:" Sim, sim. A vitória do PJD é uma vitória para a democracia".

A contagem parcial dá ao PJD, ao Istiqlal e a mais dois partidos menores - que disseram antes da eleição que governariam como uma coalizão, caso vencessem - um total de 170 assentos no Parlamento, um pouco abaixo da maioria.

Seus rivais, um grupo de oito partidos liberais com fortes ligações com o palácio real, ficaram para trás, com cerca de 112 lugares, de acordo com os resultados parciais.

"MODELO" PARA MONARQUIAS ÁRABES

De acordo com novas leis aprovadas no começo deste ano, como parte de um pacote de reformas constitucionais apoiadas pelo rei, o maior partido no Parlamento nomeia o primeiro-ministro.

A eleição no Marrocos está sendo acompanhada de perto por outras monarquias árabes, em busca de pistas sobre como reagir à "Primavera Árabe", sem abrir mão da sua permanência no poder.

O Marrocos diz que pode servir como um modelo para uma abordagem gradual para reformas, no lugar das revoltas vistas em países como Líbia e a Síria.

Desde que foi coroado, em 1999, o rei Mohammed tem recebido elogios internacionais por seu esforço em acabar com um histórico de abusos de direitos humanos que ocorreram durante os 38 anos de reinado de seu pai, o rei Hassan. As reformas dos seus primeiros anos no poder perderam seu impulso nos últimos anos.

Quando as manifestações inspiradas pela "Primavera Árabe" começaram em fevereiro, ele reativou o processo de reformas, com emendas constitucionais que esvaziaram a força do movimento de protesto no Marrocos.

Ele cedeu alguns poderes para políticos eleitos, porém manteve a palavra final em questões de defesa, segurança nacional e religião.

Mas ainda há uma minoria que diz que suas reformas não são suficientes. Milhares de pessoas se juntaram aos manifestantes em várias cidades no último fim de semana, que conclamava a população a boicotar a eleição.

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