Magazine Luiza começa a tomar medidas para abertura de capital

Novo diretor financeiro diz que preparação da rede para a capitalização pode levar pelo menos 12 meses

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

Depois de perder a disputa do Ponto Frio para o Pão de Açúcar na reta final, o Magazine Luiza começou a preparar um plano de capitalização, que pode culminar finalmente na abertura de capital da companhia. Há um mês, a rede de varejo de Franca contratou um dos executivos responsáveis pelo IPO da Visanet (atual Cielo) - a maior oferta inicial de ações feita no País neste ano - para tocar esse projeto.

"Ninguém vai assistir de braços cruzados ao ataque da concorrência. Acredito que um movimento desse (a compra do Ponto Frio pelo Pão de Açúcar) catalise uma capitalização, que pode ser um IPO, a entrada de um fundo de private equity, uma emissão de debêntures, entre outras alternativas que existem", afirma Vitor José Fabiano, o novo diretor financeiro do Magazine Luiza. "Um boom no varejo pode acelerar esse processo, mas a preparação da companhia deve levar pelo menos 12 meses."

Há anos o Magazine Luiza anuncia sua pretensão de abrir o capital. Mas a empresa nunca se preparou de fato para vender suas ações na Bolsa de Valores. A chegada de Fabiano deixa esse rumo mais definido.

"É necessário que se coloque em prática medidas de governança corporativa, de processos, de gestão, de sistemas. E quanto melhor você prepara, melhor sai o IPO. Na Visanet, esse processo levou mais de dois anos. Aqui, vai passar pelo mesmo caminho", diz Fabiano. "Primeiro, a gente precisa arrumar a casa para uma capitalização, e só depois vamos definir como será o crescimento - se abrindo lojas ou fazendo aquisições."

A urgência desse plano teria ficado clara com a perda do Ponto Frio. Logo após a aquisição, o presidente do Pão de Açúcar, Claudio Galeazzi, declarou que pesou a favor o fato de o grupo contar com papéis de alta liquidez em Bolsa. A primeira parte do pagamento, de R$ 373,4 milhões, foi paga à vista, com recursos do caixa do grupo. A segunda, de R$ 451,1 milhões, foi feita com ações da rede.

Segundo fontes do mercado, essa iniciativa de capitalização do Magazine Luiza teria sido fruto da pressão do Capital Group, fundo americano que em 2005 comprou uma participação de 12,36% na rede de varejo. Como em qualquer operação do gênero, há data de saída. E o IPO ou a venda total ou parcial da empresa para outro grupo costumam ser as formas de "desinvestimento".

Há quatro anos, o Capital Group pagou cerca de US$ 70 milhões (R$ 170 milhões na cotação da época) para ficar as ações da rede. O valor, hoje, é considerado alto pelo mercado. As projeções de retorno feitas na ocasião não teriam se concretizado, segundo fontes que acompanham o negócio.

Nas últimas semanas, chegaram a circular rumores de uma eventual venda do Magazine Luiza para o Grupo Silvio Santos. A informação é negada. Procurado, o representante do Capital Group para a América Latina, Guilherme Lins, não pôde se manifestar sobre o assunto.

TÍMIDA

Quando o Magazine Luiza entrou na disputa pelo Ponto Frio, muita gente se perguntou de onde viria o dinheiro para bancar a aquisição da segunda maior rede de varejo de eletroeletrônicos do país. De acordo com fontes próximas ao Magazine Luiza, o Capital Group estaria disposto a pagar boa parte da conta. O objetivo era ter ações numa empresa de maior liquidez, o que facilitaria sua "saída". A aquisição do Ponto Frio era uma estratégia mais defensiva para o Magazine, já que havia sobreposição entre várias lojas das duas redes.

A atuação do fundo ainda é tímida no País. Além do Magazine, a divisão de private equity do Capital Group tem participação na São Teófilo - um veículo de investimento que detinha participação na Aracruz - e na Arcos Dorados, grupo argentino detentor da licença exclusiva da operação da rede de fast food McDonald"s na América Latina, incluindo o Brasil.

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