Médico inglês que ligou vacina a autismo enfrenta processo

Conselho de medicina britânico vai decidir se Andrew Wakefield cometeu falhas de ética em seu estudo

Efe

16 Julho 2007 | 19h23

O Conselho Médico Geral do Reino Unido deu início a um processo contra o médico Andrew Wakefield, que em 1998 sugeriu que poderia haver uma ligação entre a vacina tríplice viral e o autismo. Ele é acusado de falta de ética profissional em sua pesquisa. Wakefield e dois colegas, John Walker Smith e Simon Murch, enfrentam a acusação pela polêmica pesquisa, publicada em 1998 na revista The Lancet. Isso levou milhões de pais a enfrentar o dilema de vacinar ou não seus filhos com a tríplice viral ou MMR(contra sarampo, caxumba e rubéola). O conselho não analisa as afirmações científicas contidas no artigo, mas tenta definir se Wakefield e seus colegas do Hospital Royal Free de Londres violaram uma série de práticas éticas durante o estudo, feito entre 1996 e 1998. Segundo a entidade, os três profissionais não atuaram de maneira ética e faltaram com a honradez ao pedir que o estudo fosse publicado. Caso o conselho conclua que eles agiram com falta de ética profissional, podem ter o registro médico cassado. Mas o processo ainda pode durar vários meses. O caso é centrado na pesquisa conduzida por Wakefield que pôs em dúvida a segurança da tríplice. Segundo o processo, Wakefield pagou £ 5 (R$ 20) a crianças para fornecerem um exame de sangue durante a festa de aniversário de seu filho. Os profissionais são acusados ainda de agir "irresponsavelmente" ao não revelar à The Lancet o método utilizado para recrutar os pacientes submetidos ao estudo. Diversos simpatizantes de Wakefield se reuniram em frente à sede do Conselho Médico britânico com cartazes de apoio e gritando slogans em defesa do médico. O artigo, publicado em 1998, levantou na época uma forte polêmica entre a classe médica e criou um dilema para os pais. Em 2004, a revista declarou que a ligação entre a vacina e o autismo não estava provada e que o artigo nunca deveria ter sido publicado. Os médicos insistem que a tríplice viral é segura e que outros estudos não puderam estabelecer um vínculo entre a vacina e o autismo. Antes da pesquisa de Wakefield, mais de 90% das crianças recebiam tríplice no Reino Unido. Após a advertência do médico, o número caiu para abaixo de 80%, subindo de volta a 85% este ano.

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