Membros da CPI admitem não ouvir todos convocados

A CPI que investiga as relações do empresário Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados convocou 51 pessoas para investigar a organização que seria comandada por ele, mas os parlamentares já trabalham com a possibilidade de não tomar o depoimento de todos os convocados.

JEFERSON RIBEIRO, REUTERS

17 Maio 2012 | 20h10

Se a CPI ouvir quatro depoentes por semana, uma meta ambiciosa considerando o volume de informações já disponíveis nos inquéritos das operações Vegas e Monte Carlo, realizadas pela Polícia Federal e que servem de matéria-prima para a investigação parlamentar, levaria 13 semanas para concluir os depoimentos. Ou seja, mais de três meses.

Por isso, já se discute ouvir apenas as pessoas que forem essenciais para comprovar como atuava a organização de Cachoeira.

"Aquelas convocações servem para ter a disponibilidade dessas pessoas. Muito do que foi aprovado ali não precisava agora", disse à Reuters o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

O colega de partido, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), também pensa dessa forma. "O relator vai definir com o presidente (da CPI) para ver quem vai ser chamado. Pode ser que nem chamem todos", afirmou.

E os membros da CPI ainda querem convocar mais pessoas nas próximas semanas.

"Acho que o que é essencial não foi aprovado ainda. Aprovamos a convocação dos menores. Os mais influentes membros desse esquema ainda não foram convocados", diz o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), citando a necessidade de convocar os ex-diretores nacionais da construtora Delta.

A oposição reclama que a CPI não avançou sua investigação sobre a atuação da construtora em todo país. Nesta quinta, a comissão aprovou a quebra de sigilos fiscal, bancário e telefônico das filiais da Delta no Centro-Oeste e em Tocantins.

O relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), admitiu no final da reunião desta quinta que é provável que a CPI tenha que rever sua sistemática de trabalho e se reunir mais vezes por semana para agilizar os depoimentos. Mas afirmou que ainda ia conversar com o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), para estudar a questão.

A CPI mista pediu ainda outras 36 quebras de sigilos de empresas e pessoas ligadas ao esquema.

CACHOEIRA

Na próxima terça-feira, a comissão tem expectativa de que Cachoeira compareça para depor. Contudo, a defesa do empresário não confirmou essa possibilidade à Reuters, já que oficialmente ele ainda mantém a liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que suspende a ida à CPI até que ele tenha acesso aos inquéritos policiais que o acusam de chefiar uma quadrilha de jogos ilegais.

Na terça-feira passada, a CPI deu acesso aos advogados do empresário aos documentos que já estão à disposição do Congresso. Contudo, a defesa de Cachoeira alega que ainda não teve tempo de preparar sua estratégia.

A CPI também aprovou um requerimento pedindo que o departamento jurídico do Senado recorresse da decisão liminar emitida pelo ministro Celso de Mello.

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