Menem deve ser julgado por contrabando de armas

Ex-presidente argentino responde por venda de 6,5 mil toneladas de armas para Croácia e Equador nos anos 90

Da BBC Brasil, BBC

30 de abril de 2008 | 09h00

O ex-presidente argentino Carlos Menem será submetido a julgamento sob acusação de "contrabando qualificado" no processo que investiga a venda de armas para Equador e a Croácia entre 1991 e 1995, período em que ele era presidente. A decisão foi aprovada na terça-feira, 29, pelo Tribunal Penal Econômico da Câmara Nacional, segundo informações da agência oficial argentina, Telam. O delito prevê pena de 4 a 10 anos de prisão, que só poderia ser cumprida após a cassação da imunidade parlamentar do ex-presidente e atual senador pelo Estado de La Rioja. O início do debate público estava marcado para 6 de maio, mas o Tribunal propôs a data de 8 de julho, a fim de que se incorporem ao processo o ex-presidente e outros acusados. O caso já rendeu a Menem cinco meses de prisão domiciliar em 2001 e, no ano passado, um bloqueio de bens e a retenção do passaporte. O ex-presidente argentino é acusado de envolvimento na venda de 6,5 mil toneladas de armamentos, entre rifles, canhões, foguetes e munições, ao Equador e à Croácia entre 1991 e 1995.  Na época, o Equador estava em guerra com o vizinho Peru e a Croácia, envolvida no violento processo de desintegração da antiga Iugoslávia. A venda contraria regulamentos da Organização das Nações Unidas (ONU). Os responsáveis pelo contrabando teriam dito que os armamentos tinham como destino o Panamá e a Venezuela. Na terça-feira, o Tribunal da Câmara entendeu que o caso "se trataria de um complexo desdobramento de atividades coordenadas com a intenção de burlar o controle aduaneiro", e que "tal manobra teria como máxima instância decisória o ex-presidente Carlos Saúl Menem". Para os deputados, existem elementos que comprovam que Menem sabia do esquema, inclusive do real destino das vendas. Segundo a Telam, também se sentarão no banco dos acusados o ex-ministro da Defesa Oscar Camilión, o ex-chefe da Força Aérea Juan Paulik, o ex-assessor presidencial Emir Yoma e o traficante de armas Diego Palleros, entre outras 17 pessoas.  BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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