Milhares fogem da Síria e Damasco tem surto de diarreia, diz ONU

Os sírios estão fugindo em massa do conflito em seu país e um surto de diarreia começou a assolar zonas rurais nos arredores da capital Damasco, disseram agências humanitárias da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira.

Reuters

17 de agosto de 2012 | 10h37

Mais de 170 mil sírios já se cadastraram em quatro países vizinhos (Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia), segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur).

Entre terça e quarta-feira, 3.500 deles fugindo de Aleppo, Azaz, Idlib e Latakia, no norte da Síria, chegaram às províncias turcas de Hatay e Kilis, segundo o porta-voz da agência, Adrian Edwards.

"Houve uma nova elevação expressiva no número de sírios fugindo para a Turquia", disse ele a jornalistas. "Há agora quase 65 mil sírios em nove campos na Turquia, embora nem todos ainda formalmente registrados. Para colocar isso em perspectiva, cerca de 40 por cento chegaram em agosto."

A ONU diz que a situação humanitária no país está se deteriorando, após 17 meses de rebelião reprimida com violência pelo governo, e que os civis estão impossibilitados de receberem mantimentos, atendimento médico e outras formas de assistência.

O Acnur estima também que haja 1,2 milhão de refugiados internos na Síria, muitos deles alojados em escolas e outros prédios públicos. Encerrando na quinta-feira uma visita à Síria, a chefe de assuntos humanitários da ONU, Valerie Amos, disse que até 2,5 milhões de pessoas precisam de ajuda.

ÁGUA CONTAMINADA

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), parte da província de Damasco Rural enfrenta agora uma epidemia de diarreia por causa da contaminação da água potável por esgoto.

"Em um bolsão de Damasco Rural há 103 casos suspeitos de E. coli. Exames laboratoriais ainda estão sendo feitos", disse o diretor de gerenciamento de riscos emergenciais e reação humanitária da OMS, Richard Brennan. "Isso se deve à contaminação do abastecimento de água."

Entre os 103 casos descobertos por agentes de saúde em um ambulatório móvel, 61 envolvem crianças de até 10 anos, segundo a porta-voz da OMS, Fadela Chaib. "As autoridades locais foram alertadas e estão tomando providências", acrescentou.

Brennan afirmou que as crianças são particularmente vulneráveis a doenças que provocam diarreia, exigindo tratamento com hidratação especial e antibióticos.

"Sabemos pelas autoridades sírias que estimados 38 hospitais e 149 outras clínicas foram substancialmente danificados ou destruídos (pela guerra civil), o que claramente piora o acesso ao atendimento sanitário."

A ONU também tenta distribuir alimentos para civis sírios por intermédio do Programa Mundial de Alimentos (PMA). Desde o começo de julho, a agência distribuiu rações alimentares para 100 mil pessoas em Aleppo, maior cidade do país.

"Apesar das dificuldades e da violência, esperamos atingir outras 25 mil pessoas lá nos próximos dias", disse a porta-voz do PMA, Elisabeth Byrs, observando que os suprimentos enviados pela agência são distribuídos pelo Crescente Vermelho.

(Reportagem de Stephanie Nebehay)

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