'Minhocão' do Rio é fechado e para trânsito

Situação foi pior pela manhã; um protesto e um vazamento de água inderditaram duas outras importantes vias da região central da cidade

Thaise Constancio e Fábio Grellet, Agência Estado

04 de novembro de 2013 | 20h13

Com a interdição de um trecho do Elevado da Perimetral, espécie de "Minhocão" com 5,5 quilômetros de extensão no centro e zona norte, o trânsito do Rio viveu nesta segunda-feira, 4, um dia de caos nos horários de pico da manhã e da tarde. Pela manhã, a situação foi pior porque duas outras avenidas da região foram interditadas por um vazamento de água e um protesto. No fim da tarde, o congestionamento também foi intenso, mas menor que o da manhã.

Construído entre as décadas de 1950 e 1970 sobre a Avenida Rodrigues Alves, o Elevado interligava a Ponte Rio-Niterói, a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e o Aterro do Flamengo. A via recebia cerca de 78 mil veículos por dia útil - das 6 às 9 horas e das 17 às 20 horas. A média chegava a 2.500 carros por hora.

A derrubada do Elevado é parte da reforma da zona portuária, a ser concluída antes da Olimpíada de 2016. O trecho entre a rodoviária e a Praça Mauá foi interditado às 19 horas de sábado, 2, e será implodido no dia 17. Para substituir a via, foram construídas as vias Binário do Porto e Binário 2. Nesta segunda-feira, primeiro dia útil do novo sistema, a Binário do Porto funcionou em dois turnos: pela manhã só no sentido centro, e à tarde só no sentido zona norte.

Às 8 horas, um protesto de funcionários da empresa Porto 2016, que cobram melhores condições de trabalho, interditou parcialmente a Avenida Francisco Bicalho. Mais uma manifestação está prevista para esta terça-feira, 5. Outra dificuldade foi um vazamento em tubulação de água da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), que começou na madrugada desta segunda-feira e exigiu a interdição de uma pista da Avenida Rodrigues Alves. O conserto só foi concluído à noite.

Por volta das 11 horas, o asfalto da Binário do Porto cedeu quando um caminhão passava por um bueiro. A avenida chegou a ser completamente fechada. "Já esperávamos maiores dificuldades no primeiro dia útil de acesso ao centro, mas esses problemas dificultaram ainda mais a chegada ao centro", afirmou o secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório. De manhã, Osório chegou a ajudar agentes de trânsito a orientar motoristas e pedestres.

Sem a Perimetral, muita gente que se deslocava de carro pelo centro do Rio preferiu recorrer ao transporte coletivo. As barcas que fazem o transporte entre o Rio e Niterói, na região metropolitana, registraram aumento de 28,3% no número de passageiros. Foram 12,7 mil pessoas a mais. Na SuperVia, a concessionária de trens metropolitanos, a demanda cresceu 5%.

Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio, Sydnei Menezes, a prefeitura foi "ousada" ao decidir demolir a Perimetral. "Se as medidas mitigatórias de impacto no trânsito não derem certo, a cidade se transformará em um grande caos e não haverá mais volta porque a demolição do elevado já começou. Mas os técnicos estão muito seguros", afirmou.

A prefeitura não divulga o custo da abertura das vias Binário do Porto e Binário 2. Informa apenas que serão investidos R$ 4,2 bilhões, por meio de um parceria Público-Privada (PPP), em infraestrutura urbana e na adoção do novo sistema viário em uma área que engloba a zona portuária.

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