MST fecha Ponte da Amizade, que liga País ao Paraguai

Movimento brasileiro se uniu a entidades paraguaias para protestar por soberania energética e reforma agrária

EVANDRO FADEL, Agencia Estado

26 de março de 2009 | 11h28

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) brasileiro e de movimentos populares do Paraguai uniram-se na manhã desta quinta-feira, 26, no meio da Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este, para um manifesto pela soberania energética e pela reforma agrária. O trânsito no local ficou interrompido por cerca de uma hora e meia. A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal acompanharam a manifestação, que foi realizada de forma pacífica.

 

"É um momento histórico de integração dos povos", disse um dos líderes do MST no oeste do Paraná, Nildemar da Silva. Um grupo saiu de Foz do Iguaçu em uma marcha de 5 quilômetros e postou-se no meio da ponte. Do outro lado, integrantes do Conselho Nacional de Organizações Populares, Movimento dos Sem-Teto do Paraguai e Frente Social Popular também fizeram caminhada semelhante.

 

Ao se encontrarem, eles cantaram os hinos dos dois países, fizeram a troca de bandeiras e os líderes discursaram. "Com essa crise no mundo inteiro, a saída é a justiça no uso da energia e a reforma agrária", acentuou Silva. Ele não quis entrar na discussão sobre o pedido paraguaio pela revisão do Tratado de Itaipu. "O que queremos é a soberania popular energética", afirmou. "A energia tem que estar a serviço dos trabalhadores, da grande massa que fica desassistida."

 

Segundo o líder do MST, o Paraguai está vivendo um momento oportuno para que seja feita a reforma agrária. "É justo que seja feita a reforma agrária e é preciso pressionar para que o governo faça", disse. "As oligarquias brasileira e paraguaia roubaram a nação." A manifestação teve também como objetivo sensibilizar as pessoas que participam, em Foz do Iguaçu, do seminário Crise - Desafios e Soluções na América do Sul, promovido pelo governo do Paraná. "Colocamos a preocupação e queremos uma solução, é um bom programa para se discutir", propôs o líder sem-terra.

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