Multidões no Iêmen fazem manifestações pró e contra governo

Iemenitas lotaram as ruas de Sanaa e Taiz na sexta-feira, em manifestações rivais pró e contra o presidente Ali Abdullah Saleh, que saudou com reservas um plano proposto por países árabes do Golfo para uma transição do poder ao longo de três meses.

MOHAMED SUDAM E MOHAMMED GHOBARI, REUTERS

22 de abril de 2011 | 12h50

Saleh disse a partidários em Sanaa que quaisquer arranjos terão que respeitar "o contexto da Constituição do Iêmen" - linguagem que pode mascarar objeções ao plano - e prometeu "enfrentar o desafio com desafio," mas sem derramamento de sangue.

"Armas podem ser usadas hoje, mas não será possível usá-las amanhã para governar," declarou Saleh. "Rejeitamos a guerra."

Autoridades disseram que onze soldados foram mortos em três ataques de membros de tribos e militantes da Al Qaeda nas províncias do país.

Na cidade de Taiz, no sul do Iêmen, a tropa de choque disparou tiros no ar para separar enormes multidões de manifestantes pró e contra Saleh, contaram testemunhas. Era possível ouvir sirenes de ambulâncias, mas não houve relatos imediatos sobre vítimas.

Um mar de manifestantes anti-Saleh, possivelmente chegando a centenas de milhares de pessoas, inundou as ruas de Taiz, a terceira maior cidade do Iêmen e epicentro da oposição ao presidente, que tem 69 anos.

Dezenas de milhares de partidários de Saleh saíram às ruas na capital, Sanaa, no que chamaram de "Sexta-Feira da Reconciliação," agitando bandeiras iemenitas e fotos do presidente.

Um número igual de manifestantes que exigiam a saída imediata do presidente saiu de sua área normal de protestos, em volta da Universidade de Sanaa, para marcar a "Sexta-Feira da Derradeira Chance" na vizinha rua Siteen, onde havia forte presença das forças de segurança.

O fato suscitou receios de que as forças de segurança de Saleh e os guardas republicanos pudessem entrar em choque com tropas leais ao general renegado Ali Mohsen, que estavam protegendo os manifestantes em Sanaa.

Manifestantes expressaram ceticismo em relação ao mais recente plano dos países do Golfo. A proposta apresentada pelo Conselho de Cooperação do Golfo, composto por seis países, prevê que Saleh entregue o poder a seu vice um mês depois de assinar o acordo. Ele nomearia um líder da oposição para chefiar um gabinete interino que seria encarregado de preparar uma eleição presidencial para dois meses depois, disse um representante iemenita.

(Reportagem adicional de Mohammed Mukhashaf em Aden e Erika Solomon em Dubai)

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