Navios com minério do Brasil para China batem recorde em julho

As contratações de navios de minério de ferro para entrega imediata do Brasil para a China saltaram para um recorde em julho, quando a Austrália suspendeu as vendas à vista após a detenção de autoridades da Rio Tinto na China

REUTERS

22 Julho 2009 | 11h16

Além disso, a queda dos custos de frete deixou o comércio de longa distância mais atrativo.

Autoridades chinesas detiveram este mês quatro funcionários da Rio, incluindo seu principal negociante na China, o australiano Stern Hu, sob acusações de ter roubado segredos de Estado durante as negociações anuais sobre minério ferro.

O número de chegadas de navios australianos nos portos da China despendou para 12 até o momento neste mês contra uma média de 40 no segundo trimestre, e um recorde de 55 em março, mostraram dados da corretora AXSMarine.

Os embarques do Brasil, o segundo maior fornecedor de minério de ferro para a China depois da Austrália, saltaram para um recorde de 31 navios, sinalizando que a insaciável demanda chinesa por ferro estrangeiro continua intacta para chegar ao recorde de produção de aço.

O aumento de compras de minério de ferro pela China favorece as mineradoras, que estão em plena negociação com siderúrgicas chinesas para estipular o valor do produto nos contratos anuais depois de ter fecehado com clientes da Europa, Coreia do Sul e Japão.

A robusta demanda da China, que consome mais da metade do minério de ferro comercializado globalmente, conduziu os preços no mercado à vista para o maior patamar em oito meses, com a Índia liderando o rali uma vez que a oferta australiana diminuiu.

Na terça-feira, os preços do minério de ferro contendo 62 por cento de ferro na China subiram para 84,4 dólares a tonelada, um aumento de quase 3 dólares em uma semana, segundo o Steel Index, enquanto outro indicador, Metal Bulletin, informou que os preços com entrega na China avançaram para 85,80 dólares por tonelada.

O minério de ferro com 63/63,5 por cento de ferro para entrega em agosto estava cotado a 91-93 dólares esta semana, ante 87-89 dólares na última semana, informou a consultoria Mysteel.

Analistas esperam que os preços à vista continuem estáveis, acima dos preços de contrato em 2009, embora deverá ser limitado também devido a expectativas de uma potencial reabertura de minas de elevado custo na China, além do movimento de compra excessiva e estoques robustos nos portos chineses que poderiam moderar os próximos embarques.

As importações de minério de ferro da China saltaram 29 por cento este ano, para um recorde de 297,2 milhões de toneladas, e as importações da Austrália, o maior fornecedor da China, dispararam 43 por cento, para 122 milhões de toneladas.

A BHP Billiton disse nesta quarta-feira que o reabastecimento de commodities na China pode terminar, coincidindo com novos aumentos de estoques em outros mercados.

O índice de frete marítimo do Báltico, que mede a movimentação do mercado de navios com capacidade para 150 mil toneladas, caiu 4 por cento nesta terça-feira, registrando a maior queda em um mês para cerca de 30 por cento.

(Reportagem de Miyoung Kim)

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