No AM, estrutura difere e expõe ‘abismo’

Enquanto colégios organizados e com apoio da comunidade estão ‘em 2021’, os de áreas violentas e com prédios alugados nem chegam à meta

José Maria Tomazela SOROCABA Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2016 | 09h44

Em Manaus (AM), a diferença de desempenho dos estudantes pode ser explicada não só pelo nível socioeconômico, mas também pelo cenário regional e até pela infraestrutura dos colégios.

Com apenas cinco salas de aulas e 155 alunos, a Escola Estadual de Tempo Integral Santa Terezinha, no bairro Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus, é uma das com melhor desempenho em todo o Estado. Em 2015, foi a 11.ª melhor colocada no Índice do Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), empatada com dois outros colégios, com a nota 6,7. A média já é maior do que a esperada para 2021. É também uma das escolas com os alunos de maior índice socioeconômico do Estado.

A pedagoga Waldenize Carvalho Moreira Maia, diretora da instituição desde 2012, atribui o bom desempenho à dedicação dos oito professores, que recebem, em média, R$ 3,3 mil brutos por mês por uma jornada de 40 horas. A escola funciona das 7 às 16 horas, mas todo dia tem uma hora de reforço – das 16 às 17 horas – para os alunos que precisam melhorar as notas.

Waldenize, que tem especialização em gestão escolar pela Universidade do Estado do Amazonas e em coordenação pedagógica pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), considera importante a formação do professor. “Incentivamos os treinamentos específicos para cada disciplina e estamos em todos os quadros de formação oferecidos pelo MEC. Alguns professores estão conosco há bastante tempo.”

De aluguel. Localizada a mais de dez quilômetros do centro da capital, a Escola Municipal Professor Sebastião Augusto Loureiro Filho, que teve baixa avaliação na Prova Brasil de 2013, funciona em um prédio alugado, em um bairro da zona norte que já figurou como um dos mais carentes e violentos da cidade.

O prédio é antigo: não há laboratório de informática nem sala de leitura. O pátio é descoberto e não tem quadra de esportes, apenas um parque infantil. Em junho do ano passado, a escola chegou a fechar por falta de pagamento do aluguel. Sem receber havia nove meses, o dono do imóvel foi ao local e cerrou o portão com cadeado. Alunos e professores que chegaram para as aulas ficaram do lado de fora. A prefeitura alegou que houve atraso na licitação, mas o problema foi resolvido.

O colégio melhorou no Ideb do ano passado em relação a 2013 – subiu de 4 para 4,5, mas ainda ficou abaixo da meta esperada (4,9). Os 260 alunos contam com seis salas de aulas, sala de professores, secretaria, depósito e refeitório, onde é servida a merenda escolar.

A escola fica no Jardim São Luiz, uma das comunidades do bairro Colônia Terra Nova 2. A região se formou após invasões de terras, no fim da década de 1980. Os primeiros moradores chegaram do Nordeste em busca de emprego na Zona Franca de Manaus. A região tem cerca de 50 mil habitantes e a população reclama da infraestrutura precária, como falta de asfalto, ruas sem coleta de esgotos e déficit de moradias.

A prefeitura informou que a região tem apresentado nos últimos anos crescimento tanto no número de habitantes quanto no desenvolvimento, com a construção de condomínios, shoppings e supermercados. “Na esfera pública, o local tem saneamento básico, transporte e hospitais públicos”, informou em nota.

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