Nova beatlemania

Enxurrada de livros traz letras de canções, biografia e entrevista inédita de Lennon

Antonio Gonçalves Filho, O Estadao de S.Paulo

07 Dezembro 2009 | 00h00

No dia 1º de outubro de 1969 os Beatles entraram nos estúdios Abbey Road para gravar seu penúltimo disco, Abbey Road. O LP começava com uma elegia ao guru do ácido lisérgico (LSD), Timothy Leary, que naquele ano decidira se candidatar ao governo da Califórnia contra ninguém menos que Ronald Reagan. Os primeiros versos de Come Together deveriam remeter ao slogan de Leary, "come together, join the party" ("venham, juntem-se à festa", ou "ao partido", uma vez que "party" tem duplo significado). Leary não foi eleito, mas ouviu o disco na prisão, após ser preso por porte de maconha. Ficou louco da vida com Lennon, que não lhe deu o devido crédito na canção. Essa e outras histórias são contadas no delicioso livro do jornalista inglês Steve Turner The Beatles - A História por Trás de Todas as Canções (Cosac Naify, tradução de Alyne Azuma, 384 páginas, R$ 49), que traz a obra integral do grupo comentada música por música.

Após quase 40 anos de ruptura dos Beatles, o grupo pode não ser mais famoso que Jesus, como queria John Lennon, mas ainda provoca uma enxurrada de lançamentos. Na esteira do livro de Turner, a Larousse publica a nova edição revisada da discografia completa do grupo, The Beatles - Gravações Comentadas, de Jeff Russell, e, ainda, a biografia do líder John Lennon, John, pela primeira mulher do cantor e compositor, Cynthia Lennon, sua companheira por seis anos (de 1962 a 1968). E, para os fãs mais fetichistas, a editora Arx coloca no mercado o livro de Jerry Levitan, Eu Conheci Lennon (tradução de André Takeda e Marcelo Barbão), relato de um adolescente que conseguiu se infiltrar numa entrevista coletiva de Lennon e Yoko Ono, em 1969, no Canadá, registrando depois uma exclusiva de 40 minutos com a dupla, gravação inédita disponível no DVD que acompanha o livro.

Na entrevista, com perguntas ingênuas de um adolescente de 14 anos, mas respostas maduras, Lennon sugere que jovens rebeldes como Jerry seriam o establishment no futuro. Poderia soar ofensivo vindo de outro, mas Lennon parece compreensivo com o garoto, que arrancou dele grandes revelações, algumas reproduzidas no interior desta edição.

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