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Nova série brasileira da Netflix será de comédia

Além de dar detalhes sobre a produção 'Samantha', CEO da empresa, Reed Hastings, falou ao 'Estado' também sobre limite de dados: "Vamos produzir mais e mais conteúdo no Brasil. A América Latina foi o primeiro grande mercado que investimos fora dos Estados Unidos”

Bruno Capelas / Guilherme Sobota, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2017 | 04h00

O novo projeto da Netflix no Brasil já tem nome: Samantha. A nova série será uma comédia, com uma protagonista que tenta, hoje em dia, recuperar sua fama conquistada nos anos 1980. Ela também se casa com uma estrela de futebol que passou 10 anos na cadeia. “A detenção será algo a ser tratado com bom humor e espero que, de alguma forma, esse projeto vá espalhar a cultura brasileira pelo mundo”, disse Reed Hastings, CEO da Netflix, em um encontro com jornalistas em São Paulo na terça-feira, 7.

O projeto será produzido pela Losbragas, produtora paulistana de Felipe Braga, Alice Braga e Rita Moraes, mas ainda não há data de lançamento, nem outros detalhes da produção, como, por exemplo, que atores estão escalados. As filmagens começam ainda em 2017. Pelas primeiras palavras da Netflix sobre o assunto, a nova série trará temas caros aos telespectadores de todo o mundo nos últimos anos. Orange Is The New Black, um dos maiores sucessos da plataforma, tem a prisão como cenário principal; recentemente, a história de O. J. Simpson, estrela do futebol americano que nos anos 1990 foi acusado em um caso de assassinato, rendeu duas produções aclamadas, a série American Crime Story: The People Vs. O. J. Simpson (que passou a estar disponível na Netflix Brasil no início deste mês) e o documentário O. J.: Made in America, indicado para o Oscar.

“Desde o início da expansão global da Netflix, decidimos que o primeiro grande mercado que exploraríamos fora dos EUA seria a América Latina”, explicou Hastings. O executivo citou o sucesso em escala global da série 3%. “A competição que existe ali é algo muito humano, as pessoas se identificam”, comentou, com a promessa: “Vamos produzir mais e mais conteúdo aqui no Brasil”.

Hastings também lembrou da produção da Netflix sobre a Operação Lava Jato (jet wash, nas palavras dele), de José Padilha. “Eles estão trabalhando. Será controverso, claro, mas está em produção. Dado o sucesso de Narcos, isso será grande.” 

Negócio. O CEO ainda afirmou que os consumidores podem se unir para lutar contra limites de consumo de dados na internet fixa. “As empresas de telecomunicações querem ter mais receita, mas, em outros países, usuários mostraram sua frustração com as franquias e foram bem-sucedidos em acabar com esses limites”, declarou – a Netflix seria uma das principais empresas prejudicadas caso o modelo de franquias na internet fixa, atualmente suspenso por decisão da Anatel, volte a funcionar no País.

De acordo com a assessoria de imprensa da Netflix, Hastings veio ao País resolver “questões internas” da empresa – mas o executivo também arranjou um tempo para conhecer São Paulo. “Ontem, fui jantar no Dom, do Alex Atala”, contou Hastings – o chef brasileiro é um dos personagens de Chef’s Table, série americana da Netflix. 

O caráter global da empresa, que se expandiu para mais de 190 países em janeiro de 2016, ganhou recentemente um rival. O Amazon Prime Video, serviço de streaming de vídeo da gigante americana do comércio eletrônico, chegou em dezembro aos mesmos mercados internacionais que a Netflix. Para Hastings, a competição não assusta. “A Amazon oferece um serviço interessante, mas ainda é pequeno comparado conosco, na proporção de ‘investimento das pessoas’.”

Ele reiterou ainda que não pretende diversificar o conteúdo produzido pela empresa: “Não queremos fazer notícias, esportes ou vídeo em tempo real”. Questionado se poderia embarcar em tendências do gosto brasileiro, como novelas ou programas de cunho religioso, o executivo desconversou.

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