OMC seria último recurso contra Argentina, diz Miguel Jorge

O Brasil deseja solucionar o impasse comercial com a Argentina na base do diálogo e só fará uma queixa formal junto à Organização Mundial do Comércio em último caso, disse nesta terça-feira o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

NATUZA NERY E FERNANDO EXMAN, REUTERS

28 Julho 2009 | 18h58

A indústria nacional acusa o país vizinho de demorar mais tempo do que o permitido pela OMC para liberar importações. A restrição causaria perda de mercado, prejudicando setores exportadores, como produtores da linha branca, calçados e auto-peças.

"A OMC é o último elemento que se usa", disse à Reuters o ministro Miguel Jorge. "Se você está negociando, não pode retaliar."

A palavra de ordem do governo é encontrar uma solução rápida e pacífica para o problema. "Mesmo que a negociação não ande e você possa estar sendo prejudicado."

No dia 22, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) recomendou a abertura de um painel na OMC contra a Argentina. O manifesto forçou uma reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner à margem do encontro de cúpula do Mercosul, no Paraguai.

Cálculos da CNI mostram que a barreira argentina mais do que triplicou o percentual de vendas brasileiras atingidas pela medida, para 13,5 por cento.

Segundo Jorge, um encontro ministerial previsto para a próxima semana tentará colocar fim ao impasse. Caso contrário, somente uma decisão política entre os líderes das duas nações pode evitar um contencioso na OMC.

(Reportagem adicional de Isabel Versiani; Edição de Alexandre Caverni)

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