Opositores e grupos pró-governo se confrontam no Iêmen

Partidários do governo munidos de paus e adagas entraram em confronto nesta quarta-feira com manifestantes de oposição na capital do Iêmen, e a polícia não foi capaz de apartar os dois lados.

MOHAMMED GHOBARI E KHALED ABDULLAH, REUTERS

16 de fevereiro de 2011 | 08h42

Inspirados nas recentes rebeliões do Egito e Tunísia, manifestantes se reuniram na Universidade de Sanaa para exigir a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, um aliado dos EUA no combate à Al Qaeda, que está no poder há mais de 30 anos.

Centenas de partidários de Saleh atacaram os manifestantes, que fugiram rapidamente. Um estudante ficou ferido, segundo um repórter da Reuters.

Depois, centenas de alunos surgiram de dentro da universidade para tentar reiniciar o protesto. A polícia os trancou dentro do campus. Pelos portões, eles atiraram pedras nos partidários do governo.

"Vamos continuar protestando até que o regime caia", disse o universitário Murad Mohammed. "Não temos futuro sob as atuais condições."

Dos 23 milhões de iemenitas, 40 por cento vivem com menos de 2 dólares por dia, e um terço passa fome cronicamente.

Os protestos recentes têm sido menores que em semanas anteriores, quando dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas. Mas eles estão tendo um início mais espontâneo, e ocorrendo de modo mais violento e estridente.

Além de enfrentar a atividade da Al Qaeda, o Iêmen combate também rebeliões no norte e no sul do país, e está à beira de se tornar um "Estado falido". Diante dos recentes protestos, Saleh prometeu deixar o poder em 2013 e propôs diálogo com a oposição.

Os partidos de oposição aceitaram as negociações, mas muitos jovens manifestantes estão frustrados.

"Queremos mudança e queremos fazer a mudança do jeito que os egípcios e tunisianos fizeram", disse o universitário Meshaal Sultan.

Num sinal da crescente preocupação do governo com os protestos, Saleh cancelou no domingo uma viagem que faria neste mês a Washington.

Num país onde metade da população possui armas, muitos acham que a revolta pode se tornar mais prolongada e violenta do que na Tunísia e no Egito.

"É uma escalada, mas este país está armado até os dentes. Quando as pessoas ficam fartas, elas recorrem aos pedaços de pau. O próximo passo é provavelmente os coquetéis molotov, e então, as armas", disse Theodore Karasik, analista de segurança do grupo Inegma, de Dubai. "Estamos chegando perto de um ponto de inflexão."

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