País terá 7 milhões de mulheres a mais do que homens em 2050

Mortes violentas reflete não apenas no excedente feminino, mas também na expectativa de vida no País

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

27 Novembro 2008 | 10h15

Em 2050, o Brasil terá 7 milhões de mulheres a mais do que homens, segundo mostra estudo divulgado na manhã desta quinta-feira, 27, pelo IBGE. O levantamento revela que, em 1980, para cada grupo de 100 mulheres, havia 98,7 homens. Em 2000, já se observam 97 homens para cada 100 mulheres e, em 2050, a estimativa é que a razão de sexo da população fique por volta de 94%. O chamado "excedente feminino" na população total, que em 2000, era de 2,5 milhões de mulheres e, em 2050, poderá atingir quase 7 milhões.   Veja também: População brasileira vai parar de crescer em 2039, afirma IBGE     O estudo mostra também que as mortes prematuras de jovens por violência está refletindo não apenas no excedente feminino, mas sobretudo na esperança de vida no País. Diz o levantamento que "o Brasil por algum tempo experimentou declínios nas taxas de mortalidade em todas as idades, mas, a partir de meados dos anos 1980, as mortes associadas às causas externas (acidentes de qualquer natureza e violência) passaram a desempenhar um papel de destaque, e infelizmente de forma desfavorável, sobre a estrutura por idade das taxas de mortalidade, particularmente dos adultos jovens do sexo masculino".   Segundo o estudo, a esperança de vida no Brasil continuou elevando-se, mas poderia, na atualidade, ser superior em dois ou três anos à estimada, se não fosse o efeito das mortes prematuras de jovens por violência.   Envelhecimento   O índice de envelhecimento aponta para mudanças na estrutura etária da população brasileira, segundo mostra o estudo. Em 2008, para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos existem 24,7 idosos de 65 anos ou mais. Em 2050, o quadro muda e para cada 100 crianças de 0 a 14 anos existirão 172, 7 idosos.   De acordo com o estudo, um exame das estruturas etárias projetadas mostra, também, a transformação nas relações entre pessoas que ingressam (e permanecem) nas idades ativas e aquelas que atingem as chamadas idades potencialmente inativas. Em 2000, para cada pessoa com 65 anos ou mais de idade, aproximadamente 12 estavam na faixa etária chamada de potencialmente ativa (15 a 64 anos). Já em 2050, para cada pessoa com 65 anos ou mais de idade, pouco menos de três estarão na faixa etária potencialmente ativa.   Apesar dos problemas que o envelhecimento poderá trazer para a gestão da Previdência, o estudo mostra que a população brasileira está alcançando, neste momento, "um bônus demográfico favorável ao crescimento econômico". Segundo explicam os técnicos do IBGE no documento de divulgação da pesquisa, os resultados apresentados permitem constatar que, atualmente,o Brasil passa pela chamada "janela demográfica", onde o número de pessoas com idades potencialmente ativas está em pleno processo de ascensão, e a razão de dependência total da população vem declinando em conseqüência da diminuição do peso das crianças de 0 a 14 anos sobre a população de 15 a 64 anos de idade.   Ainda segundo observam os técnicos no texto do documento, a população com idades de ingresso no mercado de trabalho (15 a 24 anos) passa neste momento pelo máximo de 34 milhões de pessoas, contingente que tende a diminuir nos próximos anos. "O aproveitamento desta oportunidade (janela demográfica) proporcionaria o dinamismo e o crescimento econômico, se essas pessoas fossem preparadas em termos educacionais e de qualificação profissional para um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, não somente em nível nacional, mas também em escala global", observam os técnicos do IBGE.

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