Peritos reconstituem a queda de mãe e filho de prédio

Desde que teve alta hospitalar, o menino acorda assustado durante a noite; ele não vai participar dos trabalhos

Marcela Spinosa, do Jornal da Tarde,

28 Novembro 2008 | 09h04

A polícia faz nesta sexta-feira, 28, a reconstituição da queda de mãe e filho de um prédio em Guarulhos. Três peritos e dois fotógrafos do Instituto de Criminalística acompanharão o trabalho dos policiais. Além de tirar fotos, os peritos vão filmar o local e a seqüência dos fatos. L., de 6 anos, sobreviveu à queda com a mãe, Andréia Cristina Nóbrega Correia, de 31 anos, que morreu. O suspeito de ter provocado a queda dos dois, segundo a polícia, é o pai de Lucas e ex-companheiro de Andréia, o pagodeiro Evandro Gomes Correia Filho, de 35 anos. Segundo a polícia, ele pode não ter empurrado a ex-mulher da janela, mas seria o causador da queda. Evandro continua foragido.   Veja também: Menino depõe sobre a queda que matou a mãe em Guarulhos  Família deve pedir guarda de garoto Assista ao vídeo com o momento do acidente    L. não participará da reconstituição, mas esta será feita com base em seu depoimento. Os trabalhos serão acompanhados pelo delegado Cristiano Engel, do 2º Distrito Policial de Guarulhos, e pelo promotor do caso Marcelo Oliveira.   Evandro tem um mandato de prisão temporária decretado e não deve se apresentar até que seus advogados entrem com um pedido de habeas-corpus. Ele será indiciado por homicídio e tentativa de homicídio.   Desde que recebeu alta hospitalar, na quarta-feira, 26, L. só quer saber de jogar videogame. A alegria da criança, que sobreviveu a queda do terceiro andar, porém, dura até a hora em que ele dorme. Ele está na casa da avó materna Jacira Macedo, de 59 anos, e desperta gritando e dizendo que está caindo.   "Ele, apesar de brincar, está traumatizado. Às vezes, olha para a televisão, mas a gente percebe que não está concentrado. O pensamento dele está longe", contou Jacira, que mora em São Mateus, na zona leste. L. ainda não sabe que sua mãe morreu. Ele diz que ela está no hospital.   A polícia chegou à conclusão que Evandro pode não ter empurrado a mulher depois de ouvir L. no hospital onde estava internado. A criança disse que houve uma discussão entre seus pais. Seu pai teria cortado a mangueira do gás com uma faca e, em seguida, sua mãe o pegou e se jogou da janela.   Na queda, o menino quebrou o maxilar. Na casa da avó, já sem os pontos e o curativo na face, ele se alimenta de sopas e caldos porque os ossos do rosto não estão calcificados. Lá, L. também reencontrou Lili, a vira-lata preta que morava com ele em Guarulhos. "Ela ficou tão feliz de vê-lo que L. ficou com medo e não quis mais brincar de tanto que pulava e lambia o rosto dele", contou Dayane Macedo, de 26 anos, cunhada de Andréia.   A criança passa o tempo jogando videogame e brincando com os primos. A família evita deixar a televisão ligada em canais onde ele possa ver notícias sobre o caso. Ele, segundo os parentes, também não gosta e prefere assistir aos desenhos.   Segundo Dayane, L. não pergunta pela mãe. Sua maior vontade é voltar a estudar e rever os amigos. Mas a família disse que o menino estudará em outra escola ano que vem. "Como a mãe dele sempre o levava e o buscava, deixá-lo lá pode fazer com que ele demore mais ainda para superar o trauma."

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