PF abre 54 inquéritos contra seus policiais

Procuradoria da República diz que pediu a abertura de investigação[br]por conta de indícios de crimes praticados entre 2006 e 2008

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2009 | 00h00

A Polícia Federal em São Paulo abriu 54 inquéritos para apurar indícios de crimes envolvendo policiais. As suspeitas surgiram durante sindicâncias internas e Procedimentos Administrativos Disciplinares (PADs) produzidos pela própria Corregedoria da corporação.

O Grupo de Controle Externo da Atividade Policial, órgão do Ministério Público Federal, comunicou que os inquéritos foram instaurados por requisição da Procuradoria da República. A PF informou que a decisão sobre os inquéritos foi da própria corporação "após criteriosa análise jurídica".

Os casos sob análise são relativos ao período de 2006 a 2008. Segundo a Procuradoria, a PF "atendeu requisição do Ministério Público."A PF entregou a relação de todas as sindicâncias e processos disciplinares.

O procurador Roberto Dassié Diana, do núcleo de controle externo, quer listar o contingente de policiais investigados. Ele pretende "aprofundar investigações e procedimentos abertos pela instituição para apurar possíveis crimes cometidos por policiais federais".

"Após realização de investigações próprias, o Ministério Público Federal constatou e denunciou casos em que a PF tratava de crimes praticados por policiais somente no âmbito administrativo interno, sem instaurar o devido inquérito policial ou comunicar os fatos criminosos à Procuradoria", destaca nota do Ministério Público.

Para Dassié, a decisão da PF de abrir os inquéritos agora "confirma suspeita inicial de que fatos criminosos que surgiam nas investigações internas da PF, de cunho administrativo, deixavam de ser apurados ou demoravam para ser investigados".

O Ministério Público informou que "descobriu narrativas de delegados sobre desvios de bens". É citado o procedimento 53/2005, que trata de suposto sumiço de R$ 1,5 milhão em contrabando apreendido pela PF. A Procuradoria informou que deve promover "eventual responsabilização de quem não abriu inquérito e deixou crimes prescreverem".

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