Pnuma defende ações sustentáveis nos países pobres

Órgão ambiental da ONU diz que economia verde ajuda a criar empregos e aumenta produtividade da agricultura

FERNANDO DANTAS , FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2012 | 03h03

Apesar da suspeição das nações em desenvolvimento em relação à economia verde nas discussões sobre o documento final da Rio+20, diversos países pobres abraçaram o conceito e se beneficiam economicamente e reduzem a pobreza - é o que tenta mostrar relatório lançado ontem no Riocentro pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Em geral, as nações em desenvolvimento têm receio do conceito de economia verde, pois acham que pode abrir a porta para o "ecoprotecionismo", como no caso em que normas ambientais rígidas impedem a exportação de países pobres (aos quais falta tecnologia e meios para cumpri-las) para os ricos. Este é um dos principais pontos polêmicos no debate sobre o texto do documento oficial da Rio+20, em que o G-77, grupo de países em desenvolvimento do qual participa o Brasil, busca restringir as implicações do endosso à economia verde.

O Pnuma parece empenhado em contestar essa visão. "Estão diminuindo aqueles que acham que economia verde é um tema controverso", disse o porta-voz Nick Nuttall, acrescentando que os chefes de Estado africanos são favoráveis ao conceito. Para ele, economia verde é "desenvolvimento sustentável, não um universo alternativo".

O relatório cita dados que mostram as oportunidades da economia verde no mundo em desenvolvimento. Assim, muitos países de rendas baixa e média têm áreas significativas de florestas ou reflorestáveis, que podem subir de valor com a economia verde. Estudos indicam que até US$ 30 bilhões por ano podem ser canalizados para países em desenvolvimento dentro do programa de compensações financeiras para preservar. E 8 milhões de empregos poderiam ser criados por meio desse tipo de iniciativa.

Outro trabalho mostra que a agricultura com preocupação ambiental em 57 países de baixa renda levou a um aumento de produtividade média de 80%.

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