Polícia apresenta possível assassino de ex-ministro

Após 14 meses de versões desencontradas, com prisão de inocentes e apelo até ao serviço de cartomante, a Polícia Civil de Brasília apresentou hoje à imprensa o que acredita ser o assassino do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Guilherme Villela, de sua mulher, Maria e da empregada do casal, Francisca Nascimento. Preso em Montalvânia (MG), Leonardo Campos Alves, de 44 anos, ex-porteiro do prédio onde vivia o casal, confessou ter cometido o triplo homicídio para roubar e também porque estaria revoltado "por ter sido destratado" pelo ex-ministro, que lhe teria negado ajuda para conseguir emprego.

VANNILDO MENDES, Agência Estado

17 de novembro de 2010 | 19h21

Os três foram mortos em 28 de agosto de 2009 com 73 facadas. Em entrevista à imprensa na sede da Polícia Civil de Brasília, para onde foi levado, Alves disse que teve um parceiro na chacina, Paulo Mota Cardoso, de 23 anos, sobrinho de sua ex-mulher, mas negou que haja um mandante. "Não agi a mando de ninguém", disse ele. "Eu estava indignado com a desfeita dele e também estava passando por vários problemas financeiros e de família. "Ele me disse que se fosse arrumar trabalho para todo desempregado do prédio, teria de abrir uma agência de emprego e me mandou embora".

Apesar da "grosseria", o ex-porteiro alegou que usou violência excessiva "não por raiva, mas por medo". Segundo ele, "o plano inicial era só roubar, mas acabamos matando com medo de sermos reconhecidos". Sabedor dos hábitos da família, por ter trabalhado no prédio por 15 anos, Alves deu detalhes de como entrou no apartamento, cuja portaria estava só encostada, subiu até o sexto andar, onde vivia o casal, e esperou que as vítimas chegassem, escondido atrás de uma pilastra.

Pela sua descrição, o primeiro a morrer foi Villela. "Ele abriu a porta por volta das 19 horas e nós o empurramos com força para dentro". O advogado teria ficado desacordado na queda. "Fechamos então a porta e pegamos duas facas na cozinha", contou. "Dei a primeira facada pelas costas, com força, depois meu colega foi conferir se ele estava vivo e demos várias golpes mais para garantir que estivesse morto", narrou.

Dinheiro

Pela narrativa, a seguir foi abatida Maria, que ainda tentou demovê-los do crime oferecendo dinheiro, joias e o que eles mais quisessem. Ele disse que recebeu US$ 27 mil, trocados por R$ 50 mil e uma certa quantidade de joias, vendida por R$ 9 mil. "Ela perguntou se eu queria mais, mas como não tenho experiência em assalto, disse que bastava", contou. "Mandei então que ela deitasse e quando ela estava no chão, meu colega deu a primeira facada, pelas costas e nós continuamos golpeando até ela morrer".

Por último, chegou a vez de Francisca, que havia saído para fazer compras da casa. Ele disse que a empregada morreu por infortúnio porque quando chegou, os dois já estavam de saída. "Tivemos de matá-la também para ela não nos delatar", afirmou. "Das três, é a morte que eu mais me arrependo, foi muito azar", contou. Depois os dois retornaram para Montalvânia, a cerca de 600 quilômetros de Brasília, onde Alves foi morar após perder o emprego, em 2009, três meses antes do crime.

A confissão do ex-porteiro desconcertou a Polícia Civil, que cometeu vários erros na investigação e já havia incriminado a arquiteta Adriana Villela, filha do casal, como coautora do crime, de olho na herança do pai, dono de uma das bancas de advogados mais requisitada de Brasília. Ela nega a acusação e espera o desfecho do caso para decidir que medidas judiciais vai adotar. "Precisamos aguardar o resultado com cautela porque se eles erraram absurdamente comigo, podem estar cometendo novas injustiças", criticou.

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