Daniela Ramiro
Daniela Ramiro

Por Doria, Alckmin promove última mudança no secretariado

Sem nenhuma relação com área, o presidente do PV de Mogi das Cruzes, Romildo Campelo, assumirá a Secretaria de Cultura

Pedro Venceslau e Mateus Coutinho, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2016 | 20h23

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin promoverá nos próximos dias a última mudança em seu secretariado para acomodar os partidos que entraram na coligação do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, João Doria. 

Sem nenhuma relação com área, o presidente do PV de Mogi das Cruzes, Romildo Campelo, assumirá a secretaria de Cultura. Ele entra no lugar de José Roberto Sadek, que é graduado em Comunicações e Artes e mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, além de autor do livro "Telenovela: um olhar do cinema".

Além de Campelo, o governador nomeou  o presidente estadual do PHS, Laércio Benko, no Turismo e Ricardo Salles, do PP,  no Meio Ambiente. As duas siglas também estão com Doria na disputa municipal. 

Segundo o PV de São Paulo, Romildo assumirá como secretário - adjunto, já que teria sido feito um acordo com Alckmin para que o presidente nacional do partido, José Penna, será o titular quando se recuperar de problemas de saúde. O Palácio dos Bandeirantes nega o acerto. 

Atualmente, o Ministério Público Eleitoral tem um procedimento instaurado para investigar a suspeita de abuso de poder político da campanha de João Doria Jr. Para o promotor José Carlos Bonilha, que conduz as investigações, a nomeação do novo secretário de Cultura repete o que ocorreu na pasta do Meio Ambiente, na qual Alckmin colocou o advogado e seu ex-secretário pessoal Ricardo Salles, do PP, no lugar da professora da USP especialista na área, Patrícia Iglecias.

"Para o Ministério Público o que está ocorrendo na secretaria da Cultura é muito semelhante ao que já aconteceu com a Secretaria do Meio Ambiente, em que saem pessoas técnicas, vocacionadas e altamente qualificadas para as respectivas áreas e, em seus lugares, assumem pessoas filiadas a partidos políticos e que, em princípio, não estão na mesma condição de servir às secretarias, como os secretários que foram exonerados", afirmou Bonilha, lembrando que os novos secretários são filiados a partidos que compõem a chapa de Doria.

"Os secretários que foram nomeados pertencem a partidos políticos que compõem a coligação com o PSDB e que ofereceram maior tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão", disse. 

Outro lado - Em nota, a assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes afirmou que   não existe "qualquer relação" entre a administração pública e a lógica eleitoral. "A escolha de secretários - filiados ou não a partidos, participantes ou não de entidades de classe ou demais organizações da sociedade civil - obedece única e exclusivamente a critérios técnicos voltados ao interesse público". 

A assessoria de João Doria disse que a campanha não influiu na escolha dos secretários.    

Alckmin também definiu nesta terça-feira, 30, o nome do economista Hélcio Tokeshi para substituir Renato Villela na Secretaria da Fazenda do Estado. O novo secretário assume o posto no dia 1º de setembro. Natural de Piracicaba, Hélcio Tokeshi é formado em economia pela USP, tem mestrado em economia pela Unicamp e doutorado pela Universidade Berkeley da Califórnia.

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