Prefeitura de SP quer que hospitais atendam periferia

Projeto da Secretaria de Saúde prevê "outorga onerosa" a hospitais que abrirem novos leitos particulares

Agencia Estado

19 Novembro 2008 | 07h47

Em audiência de quase sete horas na Câmara de Vereadores de São Paulo, o secretário municipal de Saúde, Januário Montone, revelou ontem que um projeto em elaboração pela gestão Gilberto Kassab (DEM) prevê a aplicação de uma "outorga onerosa" aos hospitais que quiserem abrir novos leitos particulares.   No exemplo hipotético do secretário, o modelo pode funcionar da seguinte forma: a cada novo leito que uma unidade privada abrir, por exemplo, na região da Avenida Paulista, a contrapartida será o "home care" (acompanhamento médico residencial) de cinco pacientes atendidos pelo SUS na periferia. O secretário justificou o plano com números do adensamento de leitos hospitalares privados no eixo das avenidas Brigadeiro Luís Antônio e Paulista, onde 16 hospitais mantêm 33 mil leitos. "Existe uma deficiência na assistência hospitalar da cidade que precisa ser corrigida. Queremos montar um projeto que onere a abertura desses novos leitos em áreas nobres. Algum tipo de contrapartida nas áreas mais distantes vai ser pedido (pela Prefeitura)", afirmou o secretário. Montone diz que no eixo Brigadeiro-Paulista estão 40% dos leitos da cidade. "O SUS, sob gestão municipal, tem apenas 6 mil leitos, é muito pouco. Tem bairro onde o número de cartões do SUS é maior que o de habitantes. A contrapartida (dos hospitais) ainda poderá viabilizar a ampliação do home care nos hospitais públicos", defendeu. "Temos de levar em conta uma realidade: o orçamento para a Saúde do município, de R$ 6 bilhões, é menor que o faturamento de planos de saúde na capital."

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