Prefeitura fecha shopping até 3ª-feira e paralisa reforma

Técnicos e bombeiros vão vistoriar o local no período para identificar causas do acidente

Alline Dauroiz, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2009 | 00h00

Até terça-feira, o Shopping SP Market está fechado ao público e a reforma, suspensa. A determinação foi anunciada ontem de manhã pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), que foi ao local onde uma parede desabou, na sexta-feira, em consequência das obras de ampliação do centro de compras, em Interlagos, zona sul de São Paulo. Funcionários das lojas que já estavam no shopping tiveram de voltar para casa, em um misto de alívio e frustração pelas vendas perdidas a um mês do Natal. Diariamente, o SP Market recebe cerca de 80 mil pessoas. Clientes e excursões também foram pegos de surpresa.

Enquanto esperava o shopping abrir, a vendedora de uma joalheria, Mariane Ribeiro, de 25 anos, temia mais acidentes. "Só vim trabalhar porque sou obrigada." Já os funcionários do quiosque Fábrica de Chocolates estavam apreensivos com a perda de faturamento. "Por dia, lucramos R$ 3 mil. Imagina o prejuízo", disse um homem que não quis se identificar.

Durante o período de interdição, técnicos das Secretarias de Controle Urbano e das Subprefeituras e o Corpo de Bombeiros farão uma vistoria detalhada para identificar as causas do acidente e problemas de segurança. A queda da parede, erguida na laje do shopping, atingiu as lojas C&A, Café do Ponto e Gelateria Parmalat. Dez pessoas foram atendidas em hospitais públicos, segundo informaram na sexta-feira as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde - ontem, o SP Market afirmou que os bombeiros socorreram nove feridos.

"Aparentemente, a chuva e o vento forte causaram o acidente. Mas não é normal que, em uma cidade tão grande, apenas uma parede tenha desmoronado", afirmou Kassab. "Essa é a razão pela qual o shopping está sendo interditado."

Além da vistoria, o prefeito disse que a administração do SP Market e a construtora MPD Engenharia, responsável pela obra, deveriam contratar uma gerenciadora para a reforma. A assessoria do shopping afirma que a Tessler Engenharia faz isso desde o início dos trabalhos. No entanto, durante a entrevista coletiva de ontem, o diretor e proprietário da MPD, Mauro Piccolloto Dottori, desconhecia o fato de já ter uma gerenciadora contratada.

Na terça-feira, ao meio-dia, as duas secretarias e os bombeiros entregarão ao prefeito um laudo sobre a segurança do shopping. "Identificados os problemas, faremos um Termo de Ajustamento de Conduta, que deve ser assinado pela construtora e pelo shopping. Se tudo ocorrer como previsto, o shopping volta a funcionar a partir de quarta-feira", disse Kassab.

Quatro semanas atrás, em 24 de outubro, aconteceu outro acidente no SP Market. Um andaime da obra na área externa caiu e quatro operários ficaram feridos. No dia seguinte a esse desabamento, o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) fez uma vistoria no shopping. A área do acidente e a reforma do teto de gesso em uma das praças de alimentação foram interditadas. A liberação saiu após a troca do andaime por plataformas elevatórias e a garantia de que as obras seriam feitas de madrugada.

Segundo o secretário Orlando Almeida, os acidentes não estão diretamente relacionados. "Um não tem nada a ver com o outro. Nossa fiscalização foi completa, e as obras na parede que desabou não haviam começado." Para o secretário, a parede só caiu porque o telhado que ajudaria na sustentação não ficou pronto a tempo.

Segundo o proprietário da construtora, todas as exigências da Prefeitura serão cumpridas. Questionado sobre o fato de a obra ter começado sem que fosse levada em conta a previsão climática, Dottori afirmou que a intensidade dos ventos foi excepcional e que o tapume de proteção posto sobre a parede foi arrastado por 15 m.

QUEIXAS

Após a vistoria de ontem, o superintendente-geral do SP Market, Davi Bergamim, negou saber das reclamações de lojistas sobre rachaduras e goteiras causadas nas lojas em decorrência das obras. "Conversamos com lojistas e não houve rachaduras. Não podemos tirar conclusões pelo que uma ou outra pessoa está falando."

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