Presidente da Costa do Marfim rejeita ultimato para renunciar

O governo do atual presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, rejeitou nesta terça-feira um pedido de três presidentes africanos para renunciar ao poder.

BATE FELIX, REUTERS

28 de dezembro de 2010 | 13h43

Potências regionais e mundiais querem que Gbagbo entregue o poder ao oposicionista Alassane Quattara após as eleições do mês passado terem provocado uma disputa que matou mais de 170 pessoas e ameaça colocar o país de volta numa guerra civil.

Os três presidentes -- Boni Yayi, do Benin, Ernest Bai Koroma da Serra Leoa, e Pedro Pires de Cabo Verde -- chegaram ao Abidjã nesta terça-feira para entregar um pedido assinado pelo bloco dos países da África Ocidental, o ECOWAS, pela renúncia de Gbagbo. Caso se recusasse, enfrentaria uma intervenção militar.

O governo de Gbagbo havia dito inicialmente que receberia os emissários "como irmãos e amigos e escutaria a mensagem que vieram entregar".

Mas pouco antes da reunião prevista com Gbagbo, seu governo alertou que não toleraria a interferência em seus assuntos internos, e não cederia a nenhum pedido para abrir o caminho para Ouattara.

"Vamos evitar a delinquência política. Nenhuma instituição tem o direito de intervir com força para impor um presidente em um Estado soberano", disse o porta-voz do governo, Ahoua Don Melo, em entrevista à BBC, ao ser perguntado se Gbagbo deixaria o poder.

Segundo alguns jornais, a insistência do governo do atual presidente sobre a vitória nas eleições e a afirmação de que ele tem o apoio da Constituição marfinense para tal indicavam que Gbagbo não cederia ao ultimato para renunciar.

Os resultados provisórios da eleição do dia 29 de novembro no maior produtor de cacau do mundo mostraram a vitória de Quattara por oito pontos percentuais. Mas o principal tribunal do país, comandado por um aliado de Gbagbo, reverteu o resultado sob alegação de fraude.

Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram uma proibição de viagem a Gbagbo e às pessoas próximas a ele, enquanto o Banco Mundial e o banco central da África Ocidental congelaram suas finanças numa tentativa de reduzir sua força no poder.

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