Presidente da Zâmbia, Michael Sata, morre em Londres

O presidente da Zâmbia, Michael Sata, uma controversa figura apelidada de “Rei Cobra” por causa de sua língua venenosa, morreu em Londres, onde estava sob tratamento médico, informou nesta quarta-feira o governo do país africano.

CHRIS MFULA, REUTERS

29 de outubro de 2014 | 10h00

Sata, cujos ataques a companhias estrangeiras de mineração atrapalharam investidores, morreu na noite de terça-feira no Hospital Rei Edward 7º, de acordo com os sites Zambia Reports e Zambian Watchdog. Ele tinha 77 anos. 

A causa da morte não foi imediatamente revelada, mas Sata, que tornou-se presidente do segundo maior produtor de cobre da África em 2011, já estava doente há algum tempo. 

“Como vocês estão sabendo, o presidente estava recebendo tratamento médio em Londres”, disse o secretário de gabinete Roland Msiska a uma TV estatal. “O chefe de Estado faleceu em 28 de outubro. A morte do presidente Sata é profundamente lamentada."

Sata deve ser sucedido interinamente pelo ministro da Defesa, Edgar Lungu, que recentemente atuou como presidente em exercício, ou pelo vice-presidente Guy Scott, que se tornaria o primeiro chefe de Estado branco da África desde FW de Klerk, na África do Sul, em 1994.

A Constituição diz que uma nova eleição presidencial deve ser realizada dentro de 90 dias. A maioria dos analistas diz que Scott não deve concorrer por causa de restrições à sua cidadania. 

Analistas disseram que investidores não devem sentir falta do estilo confrontacional de liderança de Sata. 

“O presidente Sata tem sido uma figura divisiva do Zâmbia no front econômico, adotando medidas autoritárias e políticas ad hoc contra o crucial setor de mineração nos últimos anos, o que prejudicou o investimento”, disse a consultoria sul-africana ETM. 

“A morte do presidente pode abrir caminho para uma administração mais reformista e ajudar a remover as amplas incertezas políticas."

O variado currículo de Sata incluía serviços como policial, funcionário de linha de produção automotiva, sindicalista comercial e auxiliar de limpeza de plataforma na estação de Vitória, em Londres. 

Ele deixou a Zâmbia no dia 19 para receber tratamento médico, acompanhado de sua esposa e de membros de sua famílai. 

(Por Chris Mfula e Ed Cropley)

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