Raízen vê alta de 10% na produção de açúcar e etanol em 13/14

A Raízen, joint venture da Cosan com a Shell, prevê aumento de 10 por cento na produção de etanol e de açúcar na temporada 2013/14, com uma recuperação na safra de cana, que começa em 1o de abril.

FABÍOLA GOMES, Reuters

19 de março de 2013 | 17h32

O aumento na produção de derivados de cana da empresa ocorre em linha com a recuperação da produtividade do centro-sul do Brasil, que deverá ter colheita recorde em 13/14, segundo o vice-presidente de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen, Pedro Mizutani.

"Ainda é cedo para falar (sobre produtividade) porque depende muito do clima, mas a expectativa é moer entre 60 a 62 milhões de toneladas, crescendo igual ao centro-sul do Brasil", disse ele a jornalistas durante um evento do setor em São Paulo.

Na temporada anterior, a Raízen processou 56,2 milhões de toneladas de cana.

Ele observou ainda que há boa perspectiva para o segmento de etanol, o que deve estimular a produção maior do biocombustível, como já vem sendo apontado por analistas do setor.

O etanol hidratado, convertido em açúcar, vale atualmente 19,7 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o anidro é oferecido pelas usinas a 20,2 centavos de dólar. Já o açúcar no mercado interno é vendido a 19,1 centavos de dólar por libra-peso, enquanto os futuros em Nova York estão em torno de 18,3 centavos, segundo informação da consultoria Datagro.

Mizutani destacou que a estimativa é que o percentual de cana destinada à produção de açúcar no centro-sul recue para 46,5 por cento na nova safra, ante os 49 por cento do ciclo anterior.

Mas, no caso da Raízen, que tradicionalmente produz mais açúcar, este percentual deve recuar para 56 por cento, contra os 58 por cento do ciclo 2012/13.

"Neste ano vai ter mais etanol… Tem grandes chances de o etanol remunerar tão bem ou até melhor do que o açúcar", estimou o executivo.

Sgundo ele, a Raízen deve iniciar a moagem logo na primeira semana de abril. "A gente deve antecipar a safra, seguindo a tendência das demais, deve começar em 1o de abril… depende muito do clima e do ponto de maturação", disse ele, acrescentando que o ideal é que a temperatura caia para a chuva diminuir, permitindo o amadurecimento da cana.

EXPORTAÇÕES

Sobre as exportações de etanol, o executivo acredita que o ritmo dos embarques deve ser crescente. No caso da Raízen, que possui trading e também compra o produto no mercado para exportar, as exportações poderão somar 1,2 bilhão de litros em 2013/14, versus 1 bilhão de litros que passaram pela trading no ciclo 2012/13.

A avaliação do executivo é mais otimista se comparada com a da consultoria F.O. Licht, que estimou nesta terça-feira moderada retração nos embarques do biocombustível.

BRASIL COMPETITIVO

O executivo ressaltou que com o câmbio atual e com preços em Nova York entre 18 a 20 centavos de dólar por libra-peso, o Brasil volta a ficar competitivo no mercado internacional.

"Nesse nível, o Brasil volta a ficar competitivo desde que se tenha produtividade, mas não para fazer novas usinas. É competitivo para usinas que estão bem posicionadas", afirmou.

A Raízen atualmente conta com 66 milhões de toneladas em capacidade de moagem, mas deve aumentar gradativamente por meio de investimentos em "brownfield" (usinas existentes). A meta da companhia é aumentar a capacidade até chegar a 70 milhões de toneladas até 2015/16.

Para o centro-sul, Mizutani estimou que a capacidade total poderá subir para até 670 milhões até 2015/16, mas somente através destes investimentos nas usinas existentes. Ele considera que os investimentos "greenfields" (novas unidades) não dependerão apenas de preços, mas também de uma política mais clara na matriz energética do Brasil.

(Com reportagem adicional de Reese Ewing)

Tudo o que sabemos sobre:
COMMODSCANARAIZEN*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.