Samcil tem prazo para negociar carteira de clientes

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) deu prazo até sexta-feira para que a operadora Pró-Saúde Planos de Saúde (Samcil) negocie sua carteira de beneficiários. A empresa enfrenta graves problemas financeiros e, no último mês, fechou a porta de seu principal hospital na Grande São Paulo. Estima-se que cerca de 90% da rede credenciada tenha cancelado o atendimento por falta de pagamento.

AE, Agência Estado

27 de abril de 2011 | 09h06

Os únicos hospitais da Samcil que ainda estão em funcionamento são o Hospital Vasco da Gama, no Brás, e o Hospital e Maternidade São Leopoldo, em Santo Amaro. No entanto, um funcionário do grupo que pediu para não ser identificado revelou ao jornal O Estado de S. Paulo que essas unidades estão sendo esvaziadas desde o último fim de semana por falta de condições de funcionamento. "Faltam equipamentos, alimentação e até antibióticos", disse o funcionário. Ele afirmou ainda que os pacientes estão sendo encaminhados para hospitais públicos ou unidades credenciadas à operadora Serma Assistência Médica, que pertence à Samcil.

A reportagem esteve ontem no Hospital Vasco da Gama e verificou que pelo menos dois dos 11 andares do prédio já estão desativados. Na sala de espera do pronto-socorro, pacientes e familiares estavam descontentes com o atendimento. "Eu tive de esperar três meses para conseguir uma consulta com ortopedista. Seria mais fácil se tivesse ido a um posto de saúde", reclama a despachante Margareth Bifulco. Ela afirma que, por mais de uma vez, passou por consulta e, quando retornou com os exames, descobriu que o médico tinha se descredenciado por falta de pagamento da operadora.

Em nota divulgada ontem, a ANS revela que "desde janeiro a Samcil está em regime especial de direção fiscal, sendo acompanhada por um profissional nomeado pela ANS em razão de ter apresentado graves problemas econômico-financeiros nos balancetes enviados à Agência." A ANS decidiu determinar a alienação total da carteira de beneficiários da Samcil. Se após o prazo de cinco dias não estiver concluída a negociação, a agência fará uma oferta pública, convocando operadoras interessadas em ofertar propostas de novos contratos aos beneficiários.

A reportagem tentou ontem entrar em contato com a Assessoria de Imprensa da Samcil, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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