R?MULO MAGALHÃES/FUTURA PRESS
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Brasil confirma segundo caso de coronavírus; país tem outros 207 casos suspeitos

Segundo paciente infectado também retornou de viagem na Itália; caso foi registrado em São Paulo. Governadores do Sul e Sudeste devem pedir ajuda à União para enfrentamento da doença

Sandra Manfrini, Mateus Vargas e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2020 | 17h34
Atualizado 05 de março de 2020 | 12h42

SÃO PAULO / BRASÍLIA - O Ministério da Saúde confirmou mais um caso positivo de coronavírus no Brasil neste sábado, 29. O paciente infectado também retornou de uma viagem na Itália. O ministério informou que foi notificado pela Secretaria de Saúde de São Paulo. 

Esse é o segundo caso da doença confirmado no País, o segundo em São Paulo. Em uma primeira nota, o ministério afirmou que "não há evidências de circulação do vírus em território nacional". Durante toda a semana, as autoridades de saúde do Brasil afirmam que não há motivo para alarde

A Secretária de Saúde do Estado de São Paulo também publicou nota no começo da noite em que reafirma que a "apesar da nova confirmação, não há mudança da situação nacional, pois não existem evidências de circulação sustentada do vírus em território brasileiro". 

Esse segundo caso teve atendimento também no Hospital Albert Einstein. O paciente é um homem, de 32 anos, que procurou a unidade de saúde na sexta-feira, 28. O resultado do exame saiu neste sábado, 29. Ele não permaneceu internado. 

O homem chegou a São Paulo na quinta-feira, 27, de um voo procedente de Milão, na região da Lombardia (norte do país), quando seus sintomas tiveram início. Durante o voo, ele usou máscara. 

No atendimento, foram relatados febre, tosse, dor de garganta, mialgia (dor muscular) e cefaléia (dor de cabeça). O paciente recebeu a orientação de isolamento domiciliar, uma vez que o quadro clínico é leve e estável. O hospital adotou todas as medidas preventivas para transmissão por gotículas.

O homem estava acompanhado da esposa, que é agora seu único contato domiciliar, e que permanece assintomática até o momento. Ambos estão em isolamento domiciliar e passarão por monitoramento diário pela Secretaria Municipal de São Paulo. 

A investigação de contatos próximos durante o voo e outros locais está em curso por meio das secretarias estadual e a municipal em conjunto com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). 

O Ministério da Saúde considerou final os testes realizados pelo Hospital Israelita Albert Einstein, que tem o exame específico para SARS-CoV2 (RT-PCR, pelo protocolo Charité), conforme orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS). Com isso, não haverá necessidade de contraprova. O resultado do exame será encaminhado ao Instituto Adolfo Lutz, para monitoramento genético do vírus. 

O primeiro caso de coronavírus no Brasil também foi registrado em São Paulo e o paciente também esteve na Itália, na região da Lombardia, norte do país, a mais afetada pelo surto de coronavírus. O caso foi confirmado na segunda-feira, 24. O paciente é um empresário de 61 anos, que vive na capital paulista. Ele foi atendido no Hospital Israelita Albert Einstein e teve o teste positivo. Depois, foi feita a contraprova no Instituto Adolfo Lutz que também atestou resultado positivo. Ele esteve na Itália entre 9 a 21 de fevereiro.  

O paciente do primeiro caso confirmado cumpre isolamento domiciliar. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, o infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência para o Coronavírus, afirmou que o empresário passa bem. "O paciente está muito bem e sairá da quarentena assim que terminarem os sintomas clínicos."  Três parentes dele que estavam sob monitoramento não apresentaram sintomas da doença.

De acordo com o Ministério da Saúde, os casos não possuem vínculo entre si. 

Casos suspeitos

Neste sábado, em atualização na Plataforma Ivis, já constavam na lista do Ministério da Saúde 207 casos suspeitos no país. Pelos dados disponíveis no site, São Paulo já aparece com 91 casos suspeitos. O último boletim divulgado pelo governo do Estado de São Paulo constava com 66 casos suspeitos da doença e, mais cedo, a Secretaria Estadual da Saúde informou que 10 casos haviam sido descartados para o coronavírus

Na sexta, o ministério destacou que os casos suspeitos do novo coronavírus só passarão a ser classificados dessa forma se a pessoa monitorada tiver febre, um sintoma a mais (como tosse e dificuldade respiratória) e ter viajado para um dos 16 países em alerta nos últimos 14 dias. 

Na tarde deste sábado, o Ministério da Saúde informou que seguirá um novo fluxo de consolidação dos dados relativos aos casos de coronavírus no País, adotando integralmente os dados repassados pelas secretarias estaduais. Assim, haverá uma descentralização da consolidação dos casos, com o objetivo de dar agilidade de resposta à doença.

Antes, as notificações feitas pelos Estados eram reanalisadas pela equipe do Ministério da Saúde. Esses ajustes no novo fluxo dos dados estão sendo feitos neste final de semana.

"A partir de agora as secretarias estaduais ficarão responsáveis por fazer a análise dos seus casos. Depois enviarão os dados mais refinados para o Ministério da Saúde", explicou o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, na nota.

Ainda de acordo com nota do minstério, "todos os laboratórios públicos ou privados que identificarem casos confirmados pela primeira vez, adotando o exame específico para SARS-CoV2 (RT-PCR, pelo protocolo Charité), devem passar por validação de um dos três laboratórios de referência nacional. São eles: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ), Instituto Evandro Chagas da Secretaria de Vigilância em Saúde (IEC/SVS) no Estado do Pará e Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo. Após a validação da qualidade, o laboratório passará a ser considerado parte da Rede Nacional de Alerta e Resposta às Emergências em Saúde Pública, para investigação do coronavírus."

Ainda segundo o texto, divulgado no começo da noite deste sábado, "o Laboratório do Hospital Israelita Albert Einstein, cumpre as exigências e seus resultados serão considerados finais para encerramento dos casos em investigação. No entanto, o mesmo deverá encaminhar alíquota da amostra para o biobanco nacional de investigação do coronavírus." 

Mesmo com a segunda confirmação de coronavírus no País, a Secretaria de Saúde de São Paulo afirmou mais uma vez não haver motivo para preocupação. "Os serviços de saúde de São Paulo estão preparados para atender pessoas que apresentarem sintomas do coronavírus, colher amostras e providenciar análises laboratoriais para confirmar ou descartar casos. Reforçamos a importância da prevenção", afirmouHelena Sato, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica. 

Ainda nesta sexta-feira, pesquisadores brasileiros conseguiram sequenciar o genoma do vírus que chegou ao País. O trabalho foi feito em apenas 48 horas desde a confirmação do primeiro caso brasileiro de infecção pelo novo coronavírus. O trabalho foi conduzido por cientistas do Instituto Adolfo Lutz, do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP e da Universidade de Oxford. Eles fazem parte de um projeto chamado Cadde, apoiado pela Fapesp e pelo Medical Research Centers, do Reino Unido, que desenvolve novas técnicas para monitorar epidemias em tempo real.

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Ajuda federal

Governadores do Sul e Sudeste devem pedir ajuda do Ministério da Saúde para o enfrentamento ao novo coronavírus. Eles participam neste sábado, 29, do quinto encontro do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), em Foz do Iguaçu. Em carta, os dirigentes devem apoiar o pedido de secretários de saúde para que o governo federal reforce os repasses para atendimentos de média e alta complexidade através de carta oficial.

O presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass), Alberto Beltrame, informou ao Estado que o pedido seria de R$ 1 bilhão. O valor seria dividido per capita. A ideia é usar o recurso para custear a instalação de leitos de UTI para atendimento de pacientes da nova doença.

OMS aponta coronavírus em mais 51 países

O número de casos do novo coronavírus tem se estabilizado na China, epicentro da doença, mas se espalhado para mais regiões do mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam para 51 países com casos confirmados - 15 novos desde quinta-feira, 27.

A dispersão do vírus fez com que a OMS elevasse na sexta-feira o nível de alerta no mundo. Agora, a organização considera que o risco de dispersão e de impacto do Covid-19 é de alto para muito alto.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus o contínuo crescimento do número de casos e países afetados é claramente motivo de preocupação. Ele continua defendendo, porém, que ainda é possível trabalhar para tentar conter essa expansão e exortou os países a se prepararem, ficarem alertas e agir rapidamente. 

Na quinta-feira, ele já tinha dito que “todo país deve estar pronto para seu primeiro caso, seu primeiro cluster, a primeira evidência de transmissão comunitária e para lidar com a transmissão comunitária sustentada. E deve estar se preparando para todos esses cenários ao mesmo tempo”.

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