São Paulo passa a ter ônibus 24 horas

"Pode entrar, mas vem aqui me ensinar o caminho." Foi desta forma que o motorista de ônibus Clodoaldo José da Silva, de 40 anos, abordou a reportagem dentro de uma das linhas da madrugada da Prefeitura. A frota de 151 itinerários entrou em operação na noite de sexta-feira para ontem. O motorista teve a ajuda tanto da reportagem quanto dos primeiros passageiros da linha Terminal Parque Dom Pedro-Terminal Pinheiros, que passa pela Rua Augusta e atende uma das principais reivindicações dos usuários de ônibus que querem aproveitar a balada: não ter de "dormir" na rua para esperar os ônibus começarem a rodar às 4 horas.

RAFAEL ITALIANI, Estadão Conteúdo

01 de março de 2015 | 08h25

A partir de agora, a cidade conta diariamente com linhas da 0h às 4h, com intervalos de 15 e 30 minutos. Apesar do problema pontual no ônibus dirigido por Silva, o público aprovou o serviço e foi surpreendido pela pontualidade das linhas. "Eu acho ótimo. Ninguém merece ter de ficar na rua até de manhã esperando ônibus e metrô. Se a balada estiver ruim, posso sair e ir direto para a minha casa", afirmou a estudante Tamires Ruiz, de 19 anos. Ela e a professora Viviane Santana, de 28 anos, saíram da Penha, na zona leste, na noite de sexta-feira, chegaram ao Terminal Parque Dom Pedro e seguiram para a Rua Augusta.

Na Vila Madalena, zona oeste, o garçom Eduardo Rodrigues, de 30 anos, conseguiu pegar um ônibus com destino ao Sacomã, sem ter de esperar mais de uma hora pelas poucas linhas que ainda circulam durante a madrugada. "Eu moro na região da Avenida Paulista, que é relativamente perto. Teve dias que eu demorei três horas para chegar em casa. Nós, que trabalhamos na noite, já desejávamos isso há muito tempo", contou.

Público

Os passageiros ouvidos estão dentro do perfil esperado pela Prefeitura. "Principalmente pessoas que procuram atividades de lazer e trabalhadores. Temos um público de trabalhadores muito grande que sai de madrugada e precisa ficar esperando uma hora para pegar o coletivo", explicou o secretário adjunto de Transportes, José Evaldo Gonçalo. Segundo Ana Odila de Paiva Souza, diretora de Planejamento da São Paulo Transporte (SPTrans), a expectativa é de que 20 mil pessoas usem o transporte.

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