João Cotta/Divulgação
João Cotta/Divulgação

'Ser o próximo Fagundes é forçar um pouco a mão'

Em cena em 'Cordel Encantado', o ator Domingos Montagner rechaça a posição de galã

Thaís Pinheiro - O Estado de S.Paulo,

24 de maio de 2011 | 06h00

Previsibilidade não está no dicionário de Domingos Montagner e sua trajetória profissional endossa a tese: o professor de Educação Física criou um circo e, agora, virou praticamente galã de novela. O que começou no fim da década de 1980 como mera brincadeira no picadeiro levou o ator a criar o grupo La Minina e o Circo Zanni, ambos trabalhos com reconhecimento de crítica e público.

Desde sua primeira participação na TV, na série Mothern, do GNT, Domingos já entrou em Força-Tarefa, em Divã e agora é o bravo cangaceiro Herculano em Cordel Encantado, que só faz crescer em audiência. Ao Estado, ele falou sobre os feitos.

O curioso é que sua trajetória é na comédia e na TV você tem feito personagens que não têm nada a ver com isso.

Não esperava isso de maneira alguma. Há muito tempo eu não exercitava esse tipo de linha de interpretação. Foi muito legal quando fiz um registro de vídeo lá na Globo e me pediram para fazer um novo registro que não fosse cômico. Considero que o palhaço tem uma dimensão dramática que está sempre presente de alguma maneira. Está sendo uma retomada, né?!

Ir para a TV não estava nos seus planos, né?!

Minha trajetória, graças a Deus, vai muito bem. A gente (ele e os companheiros de grupo) vem num caminho muito coerente dentro dessa pesquisa do circo e do palhaço há muitos anos. Então, nós que somos empreendedores e produtores ficamos muito envolvidos com o trabalho, sobra muito pouco tempo pra você desprender energia para outra coisa. E nossa geração foi formada numa época em que São Paulo era muito distante da TV Globo, que era hegemônica na produção de novelas e ficava só aqui no Rio.

Comenta-se que você é o próximo José Mayer ou Antônio Fagundes. Como lida com isso?

(Risos) Olha, com muito receio e também com muito respeito porque ser o próximo Antônio Fagundes é forçar um pouco a mão, ele é um ícone. Nunca tive, sem falsa modéstia, a menor pretensão desse tipo de coisa. Fico muito contente enquanto artista, fico lisonjeado.

Espera continuar na TV?

Olha, não posso dizer não, né?! Sou um profissional, quero com certeza poder continuar conciliando o meu trabalho com a TV. Nossa, todos os trabalhos que fiz até agora foram maravilhosos. Não preciso ser galã, não! Posso fazer outras coisas, não tenho problema nenhum. Aliás, já estou quase passando do tempo de ser galã.

Alguma coisa o surpreendeu na TV?

Cara, me surpreendeu o começo do trabalho da novela. A gente começou o trabalho de leitura e parecia que estava começando uma peça de teatro. Foi muito surpreendente, achei muito cuidadoso.

Na TV agora temos você, Marcio Ballas, Hugo Possolo e João Miguel, todos vindos do circo. Você acha que os palhaços estão ganhando espaço?

Sabe que os palhaços invadem, né? São incontroláveis! (risos). Acho fantástico, temos uma formação de interpretação bastante peculiar, ligado ao artista brasileiro, né?! Nossa origem é diferente e ao mesmo tempo se adapta a suportes dramatúrgicos diferenciados. Acho um sinal de maturação, daqueles que são responsáveis por criar os produtos, muito importante. Fico muito feliz que recaia sobre os palhaços este olhar.

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