Síria anuncia alto comparecimento em eleição; oposição rebate

O governo da Síria afirmou que os eleitores compareceram em grande número na segunda-feira para uma eleição parlamentar considerada central para seu programa de reformas. Simpatizantes da oposição, porém, denunciaram a prática como uma fraude e relataram mais confrontos entre os rebeldes e as tropas leais ao presidente Bashar al-Assad.

MARIAM KAROUNY, REUTERS

07 Maio 2012 | 16h19

Em Washington, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, classificou a violência incessante de "“totalmente inaceitável e intolerável".

Ban afirmou que é prioridade para a ONU enviar uma missão para supervisionar um cessar-fogo o mais rápido possível e pediu que todas as facções cessem com a violência.

O presidente do Comitê Eleitoral Supremo da Síria, Khalaf al-Azzawi, disse na televisão estatal que a votação ocorria “"de forma normal e tranquila" em todo país, que há 14 meses enfrenta uma insurreição contra o governo de Assad.

A agência estatal de notícias Sana noticiou um grande comparecimento às urnas. Testemunhas em Damasco afirmaram que a votação parecia irregular.

Em uma seção eleitoral, as autoridades afirmaram que 137 pessoas votaram nas primeiras horas, enquanto jornalistas estrangeiros viram apenas três votando ali ao longo de 40 minutos.

Um lojista do outro lado da rua da seção disse primeiro que estava muito quente para votar. Quando pressionado, afirmou: “"Quero dizer apenas: com todo esse sangue, o que vocês acham que vai resolver? Eleições? Não."

Alguns dos que votaram afirmaram que viam isso como uma chance para pôr fim à crise, na qual 9 mil pessoas foram mortas pelas forças de Assad, de acordo com a ONU. O governo afirma que 2,6 mil membros da segurança foram mortos pelas forças da oposição.

A estudante universitária recém-formada Reem al-Homsi disse ter votado porque quer o melhor para o seu país.

“"Quero uma vida normal e um emprego", disse ela.

A televisão estatal exibiu imagens das seções eleitores pelo país, mostrando pessoas votando em cédulas de papel. Apesar da grande cobertura da imprensa nos últimos dias, porém, houve poucas discussões sobre propostas ou inclinações políticas dos candidatos.

Um homem de 24 anos trabalhando para um candidato disse que, após quatro anos de desemprego, ele estava apenas fazendo um trabalho.

"“Estou aqui representando esse empresário para poder levar 3 mil liras (50 dólares) para casa no fim do dia e ir embora", afirmou ele. “"Espero que esse Parlamento seja capaz de me dar um emprego. Embora, honestamente, eu não esteja otimista."

Uma idosa primeiro disse ter votado, aparentemente por medo de represália por não participar da iniciativa do governo. Depois, ela acrescentou: “"Ninguém quer votar. Ninguém."

Na província de Idlib (norte), moradores relataram tiros e explosões, e na cidade de Hama houve confrontos entre rebeldes e soldados no começo da segunda-feira, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha.

Na província de Deir al Zor (leste), três dissidentes foram mortos ao alvorecer por forças do governo, segundo o Observatório, no que seria mais uma violação ao cessar-fogo em vigor desde 12 de abril.

(Reportagem adicional de Khaled Yacoub Oweis em Amã e de Erika Solomon em Beirute)

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