Trabalhadores protestam contra juro em frente ao BC em São Paulo

Sindicalistas exigiram durante manifestação em frente a escritórios do Banco Central a redução dos juros como forma de ativar a economia e preservar empregos em meio a demissões causadas pela crise financeira. O protesto tenta sensibilizar o BC, que nesta quarta-feira divulga o novo patamar dos juros. Em São Paulo, as centrais calcularam o público em 6.000 pessoas, enquanto a Polícia Militar contabilizou 2.000 manifestantes. Duas faixas da avenida Paulista, onde se localiza o edifício do BC, foram fechadas pela PM para a realização da passeata, que não chegou a atrapalhar totalmente o trânsito. O policiamento foi realizado por cem homens e parte deles cercou a frente da instituição. "Eu tô aqui, eu tô lutando, eu quero ver o juro abaixando", era a palavra de ordem dos manifestantes, que cobram ao menos 2 pontos percentuais de redução da taxa, atualmente em 13,75 por cento. "Oito burocratas do BC vão tomar uma decisão muito importante para o Brasil. O trabalhador não suporta mais esse juro. Os trabalhadores exigem uma grande redução da taxa de juros para a economia do Brasil crescer mais", disse o vice-presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Nivaldo Santana. O presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, chegou a ameaçar o BC de invasão. "Eu não agüento mais fazer manifestação contra o (Henrique) Meirelles (presidente do BC). Se o juro não cair, vamos invadir o BC, dormir lá dentro," afirmou em cima do caminhão de som. Os sindicalistas cobram ainda a redução do spread bancário (diferença entre os custos de captação dos bancos e quanto cobram do consumidor) como forma de baratear o crédito. Mesmo com medidas já tomadas pela equipe econômica do governo, a ampliação do crédito ainda é a principal reclamação dos empresários. A redução de impostos, outra medida anunciada, é criticada pelos sindicalistas por não ter exigido contrapartidas das empresas. "Precisamos que o governo garanta o emprego, não pode cortar imposto sem garantia", afirmou Paulinho. Para Vagner Freitas, secretário da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Banco Central tem que mudar o foco da análise. "Hoje a doença não é a inflação, é o desemprego", afirmou. No entender da CUT, a crise não atingiu todos os setores, está concentrada em áreas como a indústria automobilística. Na terça-feira, a central realizou em São Bernardo do Campo, região do ABC paulista que concentra as montadoras, manifestação com milhares de trabalhadores a favor do emprego. A Força Sindical pretende retomar na segunda-feira negociação com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), interrompida na semana passada. A Força havia concordado em reduzir a jornada de trabalho e os salários, enquanto os empresários não ofereceram garantia de emprego. A CUT não participa do acordo por discordar do corte de salários. "Isto é oportunismo dos empresários", disse Freitas. Participaram também do protesto em frente ao BC a Central Geral dos Trabalhadores (CGT), a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e a Nova Central. (Reportagem de Carmen Munari)

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