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Faixa de pedestre não é enfeite

Pesquisa mostra tempo de travessia curto e de espera longo para pedestres nos semáforos de São Paulo

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Por Notas & Informações

Atravessar uma rua na cidade de São Paulo é um perigo. Um levantamento recente sobre o tempo de travessia em faixas de pedestre confirma as dificuldades enfrentadas por paulistanos em seus deslocamentos cotidianos. A depender do local, o cidadão tem apenas entre quatro e cinco segundos para transpor uma via. Trata-se de uma espécie de corrida pela sobrevivência, que, não raro, termina em tragédia.

Em maio, o Mobilidade Estadão publicou uma reportagem com base no mapeamento da campanha Travessia Cilada, do Instituto Corrida Amiga, que apontava 25 pontos de travessias inseguros na metrópole. Após a publicação, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) contestou as informações e afirmou que todos os semáforos indicados como inseguros “estavam com defeito e passaram por manutenção”.

A entidade voltou, então, a cada um deles, numa espécie de força-tarefa de checagem, e constatou que pouca coisa mudou. Segundo o Instituto Corrida Amiga, em 90% dessas faixas de pedestre, ou 22 delas, a travessia ainda continuava insegura. Isso porque uma travessia é considerada segura quando pode ser cumprida na velocidade de 0,6 metro por segundo, que é a velocidade de deslocamento de uma criança ou de uma pessoa com deficiência.

Ou a CET não reprogramou o tempo de travessia das faixas de pedestre, conforme afirmou ter feito, ou fez esse serviço de forma tão precária ou relapsa que os problemas voltaram a ser observados num curto espaço de tempo. Seja lá qual for o motivo dessa inconsistência de informações de um órgão oficial, são os pedestres que continuarão vulneráveis, o que é inaceitável.

Para piorar, os problemas não se resumem ao tempo de travessia. Os pedestres também enfrentam o tempo de espera. Segundo o levantamento, o tempo médio de espera do pedestre nas vias analisadas até caiu de 2 minutos, no ano passado, para 98 segundos, neste ano. Mas parâmetros internacionais apontam que um tempo razoável seria de 60 a 90 segundos. Quanto mais longo for o tempo de espera para que o sinal passe do vermelho para o verde, maior é o estímulo a comportamentos de risco. Não raro, as pessoas têm pressa e, infelizmente, se colocam em perigo.

Os dados de óbitos de pedestres na capital paulista evidenciam a gravidade do problema. Segundo dados do Infosiga, uma ferramenta do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), foram 372 vítimas em 2024, atrás apenas dos óbitos de motociclistas. Significa que todo dia uma pessoa saiu de casa e morreu pelo fato de andar pelas ruas da cidade. Até abril deste ano, dados mais recentes, foram 111 vítimas.

Andar a pé, assim como de bicicleta, carro, ônibus, trem ou metrô, é um modo de deslocamento. E já foi o maior na capital até 2017 em número de viagens realizadas diariamente, sendo ultrapassado pelos deslocamentos de carro em 2023, de acordo com a mais recente Pesquisa Origem Destino do Metrô.