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Rearranjo chinês

China reduz meta de crescimento de curto prazo, mas espera dobrar PIB per capita em 2035

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Por Notas & Informações

A China anunciou que buscará crescer entre 4,5% e 5% em 2026, uma redução de até meio ponto porcentual em relação à meta de crescimento de cerca de 5% que perseguiu entre 2023 e 2025.

Ao estabelecer a meta de expansão do PIB mais baixa desde o início dos anos 1990, Pequim reconhece que navega num “cenário grave e complexo, no qual choques e desafios externos se entrelaçam com dificuldades internas e escolhas políticas difíceis”.

Uma China que cresce menos é um alerta para parceiros comerciais como o Brasil e tantos outros, que nos últimos anos tornaram-se extremamente dependentes das exportações para o gigante asiático. Mas do ponto de vista chinês um rearranjo econômico interno faz todo o sentido.

Para além do caos comercial instalado por Donald Trump desde que retornou à Casa Branca, Pequim está ciente de que sua grande batalha é interna. Mais do que crescer de forma acelerada exportando toda sorte de produtos para o mundo, modelo que permitiu à China a transição de um modelo de quase subsistência para o posto de segunda maior economia do mundo, Pequim sabe que precisa estimular seu mercado doméstico. O desafio agora é crescer menos quantitativamente e mais qualitativamente.

Para isso, o governo de Xi Jinping aposta em medidas de estímulo ao consumo interno, como um programa de financiamento de troca de bens usados por novos, orçado em cerca de US$ 36 bilhões. Se funcionará, é outra questão. Nos últimos anos, o governo vem adotando medidas graduais para tentar convencer os chineses a gastarem mais, sem ter tido muito sucesso. Para especialistas, as políticas de estímulo ao consumo seguem sendo tímidas.

Por não contarem com uma rede de proteção social significativa, os chineses são tradicionalmente cautelosos em relação ao consumo, tendência reforçada pela recente pandemia de covid-19. Traumatizados pelo severo lockdown imposto pelo governo e por uma crise no mercado imobiliário que se arrasta há anos, os chineses resistem a gastar.

Embora a meta oficial de inflação para este ano seja de 2%, instituições financeiras como o ING estimam que o índice de preços ao consumidor encerrará 2026 bem abaixo disso, em 0,9%. A China, contudo, tem metas para atingir até 2035, e a que realmente lhe importa é dobrar o PIB per capita do país. De acordo com dados do Banco Mundial, o PIB per capita chinês equivalia a US$ 13.300 em 2024, enquanto o do Brasil era de US$ 10.310.

Pequim aposta fortemente em setores como inteligência artificial, robótica e biomedicina, nos quais já vem se destacando, e se comprometeu a aumentar em 10% o orçamento anual para ciência e tecnologia.

A burocracia chinesa almeja a vanguarda global em segmentos tecnológicos de alto valor, o que garantiria a prosperidade da população e, sobretudo, a manutenção do regime de governo.

Obviamente, o alto grau de incerteza econômica e geopolítica atuais desafia a estratégia chinesa. Mas convém não duvidar de um país que, poucas décadas atrás, tinha um PIB inferior ao do Brasil e hoje já rivaliza com os EUA.