Sem bola de cristal, não é fácil definir como será o ano de 2026 para os vinhos. Mas a notícia de que o guia Michelin, referência mundial nas avaliações de restaurantes, começa agora em 2026 a dar estrelas – ou melhor uvas – para as vinícolas é o primeiro indício de que será um ano com boas novidades. Neste início, receberam as “uvas michelin” as vinícolas da Borgonha e de Bordeaux, que serão avaliadas por critérios de qualidade, agricultura, técnica e identidade do vinho. Há, ainda, o plano do guia de expandir a sua atuação para outros destinos do mundo do vinho, nos próximos anos.
O Michelin já premia sommeliers desde 2019 – no ano passado, a condecoração no Brasil foi para Marcelo Fonseca, do restaurante Evvai, em São Paulo. Foi o mesmo ano em que o guia adquiriu a totalidade da The Wine Advocate, publicação fundada pelo norte-americano Robert Parker, que se tornou uma referência nas notas de até 100 pontos para os vinhos (em 2016, o Michelin já havia adquirido 40% desta publicação).
Livre-Comércio
Outro fato que deve refletir no mundo do vinho em 2026 é o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Se realmente for assinado em janeiro (a previsão era para uma assinatura em dezembro, mas ainda não há acordo na Europa, principalmente na França e na Itália), as tarifas de importação de vinho devem cair gradativamente até serem zeradas no prazo de uma década. Atualmente, o imposto é de 27% para os vinhos europeus e a medida, se implementada, tende a aumentar significativamente a entrada de rótulos deste continente no mercado brasileiro. Atualmente, os maiores exportadores de vinho para o Brasil são o Chile, a Argentina e Portugal. E os rótulos sul-americanos significam pouco mais de 60% do mercado.
Ainda na incerteza se o acordo sairá do papel, países que tem o Brasil como mercado importante estão elevando o seu investimento por aqui. A Wines of Chile, por exemplo, vai aumentar em 20% seus investimentos no Brasil neste ano em relação a 2025. O presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, por sua vez, diz que este ano, o Brasil será o país que vai receber o maior volume de investimentos de Portugal nos vinhos. O plano é não apenas manter os valores já aplicados no Brasil, em eventos como as feiras Vinhos de Portugal, como intensificar as degustações e as ações promocionais em supermercados e adegas. Magdalena Pesce, CEO da Wines of Argentina, diz que o foco será em vinhos premiuns de seu país, como maneira que conquistar participação de mercado no Brasil.
Bola da vez
São investimentos que mostram o foco no Brasil. Neste ano que passou, o país foi um dos poucos no mundo a registrar crescimento na importação de vinhos, na contramão do mercado e da tendência de redução de consumo de bebidas alcoólicas registradas mundo afora. Pelos dados de Felipe Galtaroça, CEO da consultoria Ideal.BI, as importações de vinho para o Brasil aumentaram 6% em 2025. Mas ele acredita que este movimento não seguirá em 2026, com uma retração de 2% a 3% nas importações. “O mercado está estocado e deve reduzir o volume de importação de garrafas”, afirma ele.
Mas Galtaroça acredita que a tendência de importar garrafas de maior valor agregado deve continuar em 2026. E o melhor exemplo são os rótulos de Chablis, que vem crescendo por aqui desde o início desta década. São brancos franceses, de maior valor quando comparados com os brancos sul-americanos.
Ainda, nas tendências indicadas pelos especialistas segue o crescimento do consumo de vinhos brancos, que vem se destacando nos últimos anos, e dos vinhos com baixo ou até sem álcool, para atender os consumidores que procuram bebidas mais saudáveis. A conferir.






