Gerando resumo
Com quase 20 anos de história, o Manì e a chef Helena Rizzo acumulam prêmios. O restaurante nasceu querendo ser “natureba”, despretensioso, com uma pegada saudável e produtos orgânicos. Mas o quilate dos chefs, Helena Rizzo e Daniel Redondo, logo conduziu o menu para a alta gastronomia. Com passagem pelo El Celler de Can Roca, em Girona, um dos melhores restaurantes do mundo, onde se conheceram e se casaram, a brasileira e o chef catalão (já falecido) chegaram com sólida formação na cozinha de vanguarda espanhola e domínio das técnicas e equipamentos que estavam em alta – thermomix, termocirculador, nitrogênio líquido, forno Josper e as técnicas para fazer espumas, esferificação...

No Maní, usaram a vanguarda a favor dos produtos brasileiros com delicadeza e muita criatividade. Aos poucos, foram abrindo espaço também para outras culinárias, com suavidade e sem esquecer a brasilidade. Um dos melhores exemplos dessa combinação é o nhoque de mandioquinha com dashi de tucupi, que acabou virando um clássico da casa, aproveitando a técnica japonesa do dashi e os brasileiríssimos mandioquinha e tucupi, com primorosa decoração feita com mini-pétalas. Outro prato maravilhoso que ilustra bem essa história é a feijoada, uma releitura do clássico, transformado em esferas de feijão e servido com carpaccio de pé de porco gelatinoso e farofa de castanha-do-pará. Foi no Manì que os paulistanos provaram pela primeira vez o ovo perfeito, um ícone da cozinha de vanguarda espanhola, em que o ovo é cozido a 60º por uma hora e meia, até que a gema fique gelatinosa e a clara sólida, mas bem macia. Para acompanhar, espuma de pupunha.
O tempo, a saída de Daniel, as mudanças de cardápio e a entrada do belga Willem Vandeven, em 2017, não tiraram o brilho do restaurante e nem afetaram a criatividade por ali. Ao contrário, com participação do novo chef, como braço direito de Helena, e dos cozinheiros e confeiteiros da equipe, o menu do Manì mantém a ousadia sem perder a delicadeza. A aproximação com os produtores, que está em alta nos últimos anos, é marca da casa desde o início. Os ingredientes chegam ali com nome, R.G e endereço – e são tratados à altura. A melhor maneira de conhecer a fundo a cozinha do Manì é provando o menu-degustação, mas quem não está interessado em passar muito tempo à mesa, também vai sair feliz dali, escolhendo o que comer no menu à la carte. Ah, faltou dizer que o ambiente é simpaticíssimo, sem qualquer afetação. E o serviço, de primeira.
Onde: Rua Joaquim Antunes, 210, Pinheiros.






