Operação mira esquema bilionário em fintechs ligadas ao crime organizado
Receita Federal aponta R$ 26 bilhões em movimentações suspeitas em fraude no setor de combustíveis. Crédito: Divulgação/ Receita Federal
A Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto deflagrado nesta quinta-feira, 28, identificou que quatro fundos de investimento suspeitos de integrar um esquema de desvio de nafta ligado ao PCC acumulam patrimônio estimado em R$ 205 milhões. Segundo o Ministério Público, os fundos registraram crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano e integram um robusto núcleo financeiro usado pela facção para movimentações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, transações entre empresas e fundos de investimento.
Ao todo, a operação cumpre 59 mandados de busca e apreensão em empresas e residências de cinco Estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

As investigações do Gaeco, braço do Ministério Público que combate o crime organizado, e da Receita Federal apontam que o PCC estruturou um esquema de abertura em série de empresas em diversos Estados do País para sustentar as fraudes.
De acordo com os promotores, os investigados usavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até detentos para registrar empresas que, formalmente, apareciam como compradoras de solventes. Na prática, porém, os produtos eram desviados para a Grande São Paulo.
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O esquema envolvendo a nafta petroquímica teria causado prejuízos estimados em cerca de R$ 200 milhões aos cofres públicos em tributos sonegados ao longo de dois anos.
Segundo as investigações, a facção se valia de benefícios fiscais aplicáveis à comercialização da nafta para simular compras com empresas do setor químico, sob a justificativa de uso industrial.

Na prática, a nafta era desviada para terminais de armazenamento e, posteriormente, misturada a combustíveis automotivos, o que resulta na adulteração do produto. Em seguida, o combustível era distribuído a postos operados pelo PCC.
Os valores obtidos com a operação fraudulenta eram, então, direcionados a quatro fundos de investimento, utilizados para ocultar os reais beneficiários do esquema. Segundo os investigadores, são esses fundos que somam atualmente patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões, após um crescimento de aproximadamente 200% em 2025.
Investigadores também descobriram outras seis fintechs que atuariam como bancos paralelos da organização criminosa. Segundo a Promotoria, essas instituições integravam um núcleo financeiro responsável por compensações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, movimentações entre empresas e fundos de investimento ligados ao grupo, além do pagamento de despesas operacionais e gastos pessoais dos principais operadores do esquema.

A Fluxo Oculto aponta que o PCC utiliza “mecanismos sofisticados de ocultação patrimonial” para esconder os verdadeiros beneficiários das fraudes no setor de combustíveis.
“As estruturas desvendadas utilizaram-se do mesmo balcão financeiro marginal, compartilhando canais de escoamento e técnicas de lavagem, por vezes fundos/fintechs, alguns dos quais já indicados na primeira fase da Carbono Oculto e que, agora, aparecem evidenciados novamente, especialmente na frente da nafta”, informou a Promotoria.




