"Vorcaro tinha toda razão do mundo para acreditar que Moraes poderia bloquear sua prisão"
Andreazza comenta sobre as trocas de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Crédito: TV Estadão
BRASÍLIA - O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, consultou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes sobre a lista de convidados para um fórum jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. O magistrado determinou que o empresário Joesley Batista, da J&F, fosse “bloqueado” do evento, e Vorcaro levou a determinação à organização do fórum.
O I Fórum Jurídico Brasil de Ideias foi organizado pelo Grupo Voto e tinha como um dos financiadores o Banco Master.

O veto aparece em uma das trocas de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro. Em conversa com o jornalista Márcio Chaer, diretor do portal de notícias jurídicas (ConJur), o banqueiro recebe uma lista de possíveis convidados e responde, em uma sequência de três mensagens:
“Boa. Só Joesley foi bloqueado. Não comentou os demais. Entendo que aprovou. Ainda assim, reperguntei. Possível que ele não queira explicitar a concordância. Mas concordo ao afastar um só nome”, disse Vorcaro ao jornalista, que mediou as mesas de debates.
A informação foi inicialmente publicada por Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. O Estadão confirmou que Vorcaro fazia referência a instruções recebidas de Alexandre de Moraes.
Leia também
Vorcaro trocou mensagens com Moraes no dia da prisão para salvar Master
Em conversa com namorada, Vorcaro disse que iria se encontrar com Alexandre de Moraes
Mensagens de Vorcaro citam encontro com ‘Ciro’ e ‘Hugo’ em sua casa para falar com ‘Alexandre’
O evento teve com um dos principais palestrantes o ex-presidente Michel Temer, responsável pela indicação de Alexandre de Moraes à Suprema Corte.
Naquele período, havia uma grande disputa empresarial e jurídica da J&F com a Paper Excellence pela compra da Eldorado Celulose. Era uma briga de R$ 15 bilhões. A companhia que brigava contra o grupo de Joesley Batista havia contratado Temer como um de seus advogados.
Em nota nesta sexta-feira, 6, a defesa do banqueiro apresentou um pedido ao STF para investigar o vazamento de informações do conteúdo do telefone celular dele, incluindo “conversas íntimas” e “supostos diálogos com autoridades e até com o ministro do STF Alexandre de Moraes”.




