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Traduzindo a política

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Fuga de Flávio é mais uma oportunidade para a direita tirar o controle da família Bolsonaro

Após prometer unir a oposição, senador deixou o País e abriu avenida para mais uma escolha para quem segue a família por antipetismo

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Foto do autor Ricardo Corrêa
Atualização:

A fuga de Flávio Bolsonaro para o exterior, com medo das investigações que pairam sobre ele após perder a disputa eleitoral, é mais uma oportunidade para a direita brasileira tirar da família do ex-presidenciável o controle do campo ideológico no País. Diversas oportunidades anteriores foram desperdiçadas em nome de uma unidade em torno do antipetismo.

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Agora, com o centrão tendo começado a isolar o discurso de não reconhecimento do resultado, a ausência física de um representante da família nos trabalhos de articulação e a presença de um nome mais palatável ao centro e com força política vinda das urnas − o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas −, o cenário é propício para o início de uma mudança de rota.

Isso poderia ter se dado quando Jair Bolsonaro deixou o Brasil às vésperas do fim do mandato em 2022 para não passar a faixa presidencial. Ou dias depois, quando aliados do ex-presidente atacaram as sedes dos Três Poderes para forçar a queda do governo recém-empossado. Também no ano passado, quando Jair Bolsonaro foi preso e condenado por golpe de Estado. Ou quando Eduardo Bolsonaro, até então apontado como seu herdeiro político, também deixou o País para abrigar-se nos Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro, senador e ex-candidato à Presidência da República Foto: Wilton Júnior/Estadão

O vazio político está claro. Por mais que outros nomes da família tenham ganhado mandatos, com Michelle Bolsonaro senadora pelo Distrito Federal, Carlos, por Santa Catarina e Jair Renan deputado federal pelo mesmo Estado, nenhum deles hoje tem capital e apoio suficientes para liderar um processo de oposição a Lula. Do exterior, Flávio e Eduardo, juntos, podem até fazer barulho, mas não liderar a oposição - como o senador prometeu em vídeo que envelheceu como leite fora da geladeira horas após ser publicado.

Inevitável, então, que se olhe para Tarcísio de Freitas, reeleito no primeiro turno e preterido na disputa presidencial em prol dos interesses da família Bolsonaro. O recado das urnas mostrou que estavam errados.

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Até aqui, Tarcísio pisou em ovos para não afrontar a liderança familiar de Bolsonaro. Ainda que discordando muitas vezes dos rumos que foram impostos. Nesta terça, enquanto pululavam as informações sobre a fuga do senador, gravou e publicou um vídeo em que reconhece o resultado da eleição presidencial e defende a unidade da oposição. Um recado de start na missão de conduzir os adversários de Lula a um caminho diferente do que levou a vitórias no Legislativo, mas com duas derrotas presidenciais seguidas. O bolsonarismo vai aceitar um novo comando?

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Opinião por Ricardo Corrêa

Editor/Coordenador de política em São Paulo no Estadão e comentarista na rádio Eldorado. É jornalista com mais de duas décadas de experiência, formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora e bacharel em Direito pela Escola Superior Dom Hélder Câmara. Escreve às quintas ou quando o noticiário assim exigir.