Horas depois de ser confirmada a viagem para os Estados Unidos do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado nas eleições presidenciais deste ano, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) publicou uma nota sinalizando que não vai abrir mão de disputar a presidência do Senado Federal. A Casa é a única responsável por dar andamento aos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com o movimento, Tereza Cristina passa para um enfrentamento direto à campanha do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Esta semana, Alcolumbre se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e recebeu o apoio do Palácio do Planalto para concorrer à reeleição. O senador já deixou claro que não dará andamento a pedidos de cassação de ministros da Suprema Corte.

Mesmo sem oficializar formalmente a candidatura, a senadora marcou posição contra a antecipação das negociações do Planalto ao afirmar: “A eleição da presidência do Senado é decidida em fevereiro pelo voto livre, soberano e secreto de cada um dos 81 senadores.”
Tereza Cristina reforçou que a definição do comando do Legislativo deve respeitar os novos parlamentares eleitos para o próximo mandato: “Observamos que os 54 novos senadores eleitos e reeleitos sequer foram diplomados e têm todo o direito de expressar, no momento apropriado, sua vontade e, naturalmente, a dos eleitores que representam. Como líder veterana, estarei aqui para receber meus colegas, especialmente as 12 novas integrantes da bancada feminina. Quero ouvir todos, como sempre fiz, pois o diálogo no parlamento é tudo.”
A iniciativa da líder oposicionista ocorre em meio à reação do grupo aliado ao alinhamento entre Alcolumbre e o Planalto. Um dia antes de divulgar a nota, Tereza Cristina já havia feito uma manifestação pública entendendo que a determinação do ministro Alexandre de Moraes para Flávio Bolsonaro entregar seus passaportes à Polícia Federal foi um gesto de “intimidação arbitrária”.
Apenas sete minutos após a divulgação do resultado das urnas no segundo turno, a PF pediu a apreensão dos passaportes de Flavio e a medida foi ordenada por Alexandre de Moraes.
A determinação se baseou em declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador e foragido nos Estados Unidos, que sugerira que o irmão mudasse de país em caso de derrota. Flávio é alvo de duas investigações no STF, mas não tem nenhuma condenação.
“Mal saímos da eleição presidencial e vimos nosso candidato Flávio Bolsonaro ser abordado na rua depois de visitar o pai por policiais. Será que o Judiciário renovará neste quarto mandato já reconhecido pelo PL Nacional a perseguição política contra adversários do atual governo?”, indagou Tereza.
A parlamentar disse que, “como líder da oposição responsável no Senado”, deseja a “pacificação entre os poderes” e fez uma advertência sobre as ações de Moraes. “Não será com intimidações arbitrárias que chegaremos lá, muito pelo contrário.”
Ao intercalar a defesa de Flávio com a articulação no Congresso, Tereza Cristina demonstra que a oposição não ficará acuada e entrará na disputa pelo comando do Senado determinada a pautar o andamento do impeachment de Alexandre de Moraes.



