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Ministério Público abre investigação sobre compra do Master pelo BRB, banco estatal de Brasília

Controlado pelo governo do DF, BRB comprou fatia relevante do Banco Master em negócio que chamou a atenção do mercado por alertas de operações fora do padrão do banco privado; presidente do BRB diz que operação foi técnica 

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Foto do autor Eduardo Barretto

O Ministério Público (MP) de Contas do Distrito Federal abriu uma investigação sobre a compra de uma fatia relevante do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), estatal, em um negócio estimado em R$ 2 bilhões. O MP pediu que o BRB detalhe informações do caso e envie a íntegra do processo interno que autorizou a aquisição. O negócio, anunciado na última sexta-feira, chamou a atenção do mercado pelo rápido crescimento do Master nos últimos anos, além de alertas de operações do banco privado fora do padrão levados ao Banco Central (BC), como mostrou o Estadão.

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Se encontrar indícios de irregularidades, o MP poderá apresentar uma representação ao Tribunal de Contas do Distrito Federal e solicitar providências aos desembargadores de contas. Além dessa apuração sigilosa aberta por iniciativa do próprio MP, os procuradores analisam um pedido de investigação sobre o caso feito pelo deputado distrital Fábio Felix (PSOL), que apontou riscos de prejuízos ao patrimônio público.

Em entrevista ao Estadão, o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que a operação foi técnica, sem ingerência política, e com a análise de carteiras e produtos do Master que representavam sinergia com os interesses do banco público.

Banco de Brasilia (BRB) Foto: PAULO H CARVALHO

O Banco Master multiplicou por dez seu patrimônio e quintuplicou sua carteira de crédito desde 2021. Esse crescimento foi tracionado pela oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDB) que pagam ao investidor taxas bem agressivas, muito acima dos concorrentes, de até 140% do CDI. No mercado financeiro, a instituição também é alvo de comentários por ter comprado participações de companhias em dificuldades financeiras.

O BC foi alertado sobre as operações fora do padrão feitas pelo banco Master e apertou as regras para frear um comportamento ousado na comparação com os concorrentes. Segundo dois banqueiros ouvidos sob reserva pelo Estadão, o órgão regulador foi provocado, ainda na gestão de Roberto Campos Neto (encerrada em dezembro passado), sobre a discrepância em relação às práticas tradicionais das instituições financeiras assumidas pelo Master.

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De acordo com o BRB, serão adquiridas 49% das ações ordinárias (com direito a voto) do Master e 100% das ações preferenciais (sem direito a voto). Ainda segundo o banco público, a operação vai ser fechada após o cumprimento de condições, como a conclusão de uma diligência dos ativos e passivos do Master e a aprovação do BC e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O Sindicato dos Bancários do Distrito Federal apontou “profunda preocupação” com o negócio e classificou a compra de “possível gestão temerária”.