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Ministra diz que morte da irmã Marielle Franco abriu ‘tampa de bueiro’ no Rio de Janeiro

Anielle Franco conta que julgamento dos acusados de serem os mandantes do assassinato da vereadora mostra que luta da família não foi em vão, mas que justiça seria ela estar viva

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Foto do autor Leticia Fernandes

No momento em que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o julgamento dos réus acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco, a ministra Anielle Franco, irmã de Marielle, diz viver uma “mistura de sentimentos”, mas acredita que a luta da família “não foi em vão”.

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“A gente falou tanto essa frase, ‘Quem mandou matar Marielle e Anderson?’, e chegar nesse julgamento é uma mistura de que nossa luta não foi em vão, e não vai parar pós-julgamento, mas de que a gente não queria estar nessa posição”, lamenta a ministra da Igualdade Racial, que afirma não esquecer daquele 14 de março de 2018, quando viu os pais desmontados no chão de casa após a notícia da morte da filha.

“Justiça mesmo seria ela estar viva, mas agora a gente vai até o final, para que a gente consiga não só justiça pela Mari e Anderson, mas fortalecer a democracia e mostrar que não tem crime que mereça ficar impune no Brasil", disse.

Execução abriu ‘tampa de bueiro’ no Rio de Janeiro

A ministra Anielle Franco acredita que o caso da irmã “abriu a tampa de um bueiro” no Rio de Janeiro, onde, entre outras particularidades do caso, um dos réus acusados de encomendar o assassinato foi o próprio chefe da Polícia Civil do Estado à época.

“A Mari abre uma tampa de um bueiro, porque ter um delegado que sentava com a gente sendo um possível participante disso, é infelizmente o retrato do nosso Estado", lamenta Anielle.

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“Segurança pública vai ser sempre um calo no nosso sapato, mas espero muito que a gente possa olhar para o nosso Estado e pense: ‘a gente venceu’, mas não vejo muita mudança", disse a irmã de Marielle.

Marielle ainda sofre ataques oito anos após assassinato

Anielle Franco contou que a família está em Brasília desde o domingo, 22, e que a mãe, Marinete, se apoia na fé para seguir firme diante de uma perda tão violenta e repentina. Ela lamentou ainda o fato de que, mesmo 8 anos depois da execução da irmã, Marielle ainda seja alvo de inúmeros ataques.

“Não dá para minimizar o que foi esse crime, e os ataques que ela ainda recebe mesmo tendo levado 5 tiros na cabeça”, lamentou a ministra.

O julgamento que começa nesta terça-feira, 24, em Brasília, vai tratar dos casos dos seguintes réus, acusados de serem os mandantes da execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes: Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro; Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-policial; Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão.

A vereadora Marielle Franco foi assassinada a tiros, junto com o motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018 Foto: Renan Olaz/CMRJ

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