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BRASÍLIA – A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), é favorita na disputa contra o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT) neste domingo, 25. O favoritismo dela se mantém desde o primeiro turno, quando faltaram apenas 1.090 votos válidos para permanecer no cargo.
A corrida pelo Palácio do Buriti reflete a eleição para a Presidência da República. Celina tem a bênção do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) e da deputada federal Bia Kicis (PL-DF), eleitas senadoras. Já Grass é o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, na capital federal.
A sucessora do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) tem 54% das intenções de voto, ante 37% do ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), de acordo com a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 22. Já a Quaest projetou 50% contra 35% em levantamento publicado na última quarta-feira, 21.

Cinco Estados também definem governadores no segundo turno: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins. Assim como no Distrito Federal – onde Celina teve 49,93% dos votos válidos e Grass, 34,47%, no primeiro turno –, a disputa esteve perto de uma decisão em dois deles.
O caso Master e a crise do BRB
De um lado, a governadora tem conseguido se descolar do escândalo do Banco Master, que levou à crise financeira do Banco de Brasília (BRB). Do outro, a oposição falha em explorar a participação dela em ambos os casos.
Celina e Ibaneis apoiaram o BRB a comprar o Master, pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro. O negócio só não se concretizou devido ao veto do Banco Central (BC) em setembro de 2025. A liquidação ocorreu dois meses depois.
Como o Estadão revelou em setembro, o governo do Distrito Federal (GDF) reclassificou despesas, antes na rubrica de gastos correntes, como investimentos – uma espécie de manobra nas contas públicas. Celina também pediu socorro à União, à Faria Lima e ao BC.
A Polícia Federal (PF) concluiu no mês passado que as fraudes entre o Banco Master e o BRB alcançaram em torno de R$ 17 bilhões. A investigação aponta para a produção massiva de documentos falsos e o uso de uma empresa de fachada.
Disparidade de recursos
O Estadão/Broadcast mostrou que a campanha de Grass sofre com a falta de recursos nesta reta final para o segundo turno, levando-o a reclamar publicamente. O ex-deputado distrital recebeu pouco mais de R$ 3,2 milhões no total, sendo R$ 2,9 milhões do PT nacional e R$ 113,2 mil do distrital.
Já a campanha de Celina ultrapassou R$ 10 milhões, dos quais R$ 9,7 milhões vieram da direção nacional do PP e R$ 57,7 mil, do diretório distrital. Os dados constam nas prestações de contas disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“A campanha da minha adversária é quase quatro vezes mais rica que a minha. Ela recebeu quase quatro vezes mais recursos do que nós. É óbvio que isso gera um impacto visual na campanha. Ela tem milhares e milhares de windbanners (bandeiras portáteis que se movimentam com o vento) que custam caro, e a gente não tem condições de espalhar o mesmo número de windbanners que ela. A nossa campanha não é apenas do material, é do conhecimento”, afirmou Grass em vídeo publicado nas redes sociais.
Apesar de ter obtido R$ 200 milhões a menos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) que o PT, o PP investiu mais na governadora do que a sigla de Lula no ex-presidente do Iphan. Foram angariados R$ 415 milhões e R$ 615,4 milhões, respectivamente.
O contraste de verbas se traduz visualmente nas ruas. Enquanto os materiais de campanha de Grass se concentram na Asa Sul e na Asa Norte, região central de Brasília e únicos lugares onde venceu nas urnas, a de Celina se espalha pelas regiões administrativas, que concentram mais de 90% dos eleitores.
O naufrágio da frente ampla
O candidato de Lula e os adversários derrotados no primeiro turno chegaram a ensaiar uma aliança contra a governadora durante os debates eleitorais, mas a frente ampla não saiu do plano das ideias. Os apoios se pulverizaram.
O ex-presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) Ricardo Cappelli (PSB) ficou ao lado de Grass e o advogado Kiko Caputo (Novo), de Celina. Já a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) se declarou neutra, mesmo que tucanos tenham migrado para a campanha petista.
O efeito do antipetismo
Apesar do favoritismo da governadora, o ex-deputado distrital conquistou um feito para o PT. As eleições de 2026 marcam a primeira vez em 16 anos que o partido chega ao segundo turno para governador do Distrito Federal – que tem um eleitorado antipetista e conservador –, desde que Agnelo Queiroz (PT) se elegeu em 2010.
O petista, eleito para a Câmara dos Deputados neste ano, não se reelegeu em 2014, tampouco chegou ao segundo turno na ocasião. A disputa ficou entre o então senador Rodrigo Rollemberg (PSB), que saiu vencedor, e o ex-deputado federal Jofran Frejat (PR), morto em 2020.
Numa tentativa de frear a resistência ao PT e de tentar conquistar o eleitorado conservador, Grass tem se distanciado da imagem do principal cabo eleitoral. Também trocou o vermelho do PT pelo laranja nas artes da campanha.
Para além das projeções de intenções de voto, a falta de recursos e da frente ampla, os votos conservadores e o antipetismo no Distrito fazem com que Grass tenha uma missão quase impossível ao tentar vencer Celina. A matemática pesa contra o ex-deputado distrital, que teria que trazer para si votos antes dados à governadora e aos adversários.






