Nosso populismo tropical
O populismo fiscal e grosseiro a que assistimos, nestas eleições, é, antes de tudo, produto de nossa fragilidade institucional. Crédito: Fernando Schuller | TV Estadão
O The New York Times criticou a interferência dos EUA em eleições estrangeiras, destacando o histórico problemático do país. O editorial menciona as eleições brasileiras, onde Trump teria influenciado a favor de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O NYT alerta que tais ações prejudicam a democracia e a imagem global dos EUA, ressaltando que líderes favorecidos por Trump tendem a ser autocráticos. A publicação defende que democracias devem prevalecer na opinião pública global.
O jornal americano The New York Times escreveu, em seu editorial de opinião deste domingo, 25, que os Estados Unidos têm um “histórico problemático” de interferência em eleições estrangeiras. Segundo a publicação, Washington tem se tornado mais respeitoso com outras democracias e evitado, em grande parte, intervir em suas campanhas, mas o presidente Donald Trump estaria levando os EUA de volta ao seu passado “intrometido e contraproducente”.
Como exemplo, o jornal cita as eleições brasileiras deste domingo, em que os eleitores escolherão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um populista de esquerda, e Flávio Bolsonaro (PL), um senador “cujo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, está cumprindo uma sentença de 27 anos por tentar um golpe após perder a última eleição”, diz.
O NYT reforça que Trump não endossou formalmente o jovem Bolsonaro, mas que ele “fez tudo, exceto endossar oficialmente”, incluindo promulgar políticas fora do padrão da tradição diplomática americana.
“Essa intromissão é prejudicial à causa da democracia e ao interesse nacional dos Estados Unidos. A interferência externa nas eleições de um estado democrático é antidemocrática: afinal, os americanos não fazem parte do corpo político brasileiro. Subjacente às intervenções do governo Trump está uma mensagem desrespeitosa de que os americanos - ou pelo menos um pequeno número deles - acham que sabem melhor do que os brasileiros o que é melhor para o Brasil”, diz o editorial.

O jornal aponta que, historicamente, esse paternalismo teve um desempenho ruim e que os governos democraticamente eleitos, livres de interferência externa, têm sido parceiros diplomáticos e econômicos mais fortes e estáveis para outras democracias liberais.
“Agravando o dano, os candidatos favorecidos por Trump tendem a ser hostis à democracia dentro de seus próprios países, assim como ele tem sido. Eles são principalmente políticos de extrema-direita com tendências autocráticas. Eles usam o poder do governo para garantir negócios lucrativos para si mesmos, seus bajuladores e pessoas próximas a Trump. Eles tentam mudar as regras eleitorais para manter seus partidos no poder. Em alguns casos extremos, como o do Bolsonaro mais velho e do próprio Trump, eles olham favoravelmente para a violência extremista cometida em seus nomes”, disse o NYT.
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Na América Latina, o jornal acrescenta que os ventos políticos favorecem partidos de direita, mesmo em países com pouca intrusão de Trump. “Ainda assim, o envolvimento do presidente na região tem sido significativo, já que os EUA têm poder econômico suficiente para afetar as economias de outros países, e o governo Trump buscou explicitamente recompensar aliados e punir opositores políticos na Argentina, Brasil e Colômbia”, aponta.
O NYT reitera que essas intervenções são especialmente prejudiciais no ambiente atual e diz que, na competição entre democracia e autocracia, as democracias deveriam ter uma grande vantagem no tribunal da opinião pública global.
“O que Trump parece não entender é que a posição global dos Estados Unidos se beneficia quando nossos líderes tentam viver de acordo com os mais altos ideais americanos. Trump despreza esses ideais e se preocupa principalmente consigo mesmo. Ao longo do caminho, ele está prejudicando outros países e minando o poder americano”, afirma o jornal.

