Disputas de poder e o debate político-cultural brasileiro

Disputas de poder e o debate político-cultural brasileiro

Moraes, Toffoli e a tática do ataque ao código de ética como melhor defesa

Os dois ministros mais atingidos pelas revelações que envolvem o banco Master não querem saber de reprimenda ou de qualquer tipo de autocontenção

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Foto do autor Fabiano Lana
Atualização:

‘Não há carreira pública com tantas vedações como a magistratura’, afirma Moraes

Declaração do ministro foi feita durante a sessão plenária desta quarta, 4, que analisa as regras do Conselho Nacional de Justiça sobre o uso de redes sociais p.

Esqueçam essa história de contrato de R$ 129 milhões da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, com o Banco Master. Esqueçam as ligações mal explicadas do colega Dias Toffoli com um resort no Paraná, que envolvem até advogado da empresa JBS. Na cabeça dos dois ministros, o que há é uma espécie de perseguição de gente com má vontade, que quer proibir os magistrados de fazerem inocentes palestras.

Abertamente, na sessão do Supremo de ontem, eles tentaram dar um “spin” em todas as histórias que pesam contra eles. No sentido cristalino de estarem corretos e os críticos errados. Com toques de vitimismo envolvido, conforme as declarações de Moraes a seguir: “O magistrado não pode fazer mais nada na vida, só o magistério. Pode dar aulas, dar palestras. E como o magistrado só pode dar aulas e palestras, passaram a demonizar as palestras. Por falta do que criticar, daqui a pouco a má-fé vai para quem dá aula nas universidades”, disse. Toffoli veio a seu socorro: “Vários magistrados são fazendeiros, donos de empresas. E eles, não excedendo a administração, têm todo o direito aos seus dividendos”.

Toffoli e Moraes: os dois ministros mais atingidos pelas revelações que envolvem o banco Master não querem saber de reprimenda ou de qualquer tipo de autocontenção Foto: Dida Sampaio

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Como tentassem convencer a opinião pública na seguinte direção: “Não conseguem entender que somos pessoas sacrificadas e ainda querem nos prejudicar ainda mais?” Neste confronto direto com o presidente da casa, Edson Fachin, deixam claro que não há mea-culpa, não há nada de errado em seus atos e a culpa é de quem os acusa. Como se gritassem na cara de todos: “Deixem-nos ganhar nosso rendimento extra em paz!”. Uns coitados.

Pelo menos a situação ficou transparente. Os dois ministros mais atingidos pelas revelações que envolvem o banco Master não querem saber de código de ética, de reprimenda, de qualquer tipo de autocontenção. E, se possível, nenhuma mudança nas palestras remuneradas. Não disseram ontem, por óbvio, que foram muitas vezes convidados para falar não pela qualidade de suas exposições, mas para darem palco a ambientes de lobbies, exibicionismo dos contratantes, dos participantes, e negócios mal explicados que podem gerar contratos vultuosos.

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Opinião por Fabiano Lana

Fabiano Lana é formado em Comunicação Social pela UFMG e em Filosofia pela UnB, onde também tem mestrado na área. Foi repórter do Jornal do Brasil, entre outros veículos. Atua como consultor de comunicação. É autor do livro "Brasil acima da lucidez", em que discute a política, a história, a cultura e a sociedade brasileira.