Lula, Bolsonaro, Ciro, Simone Tebet... Quem são os 11 candidatos a presidente

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Com o fim da temporada de convenções partidárias, nesta sexta-feira, lista de presidenciáveis define o ´'grid de largada’ da corrida presidencial

Por Redação
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Chega ao fim nesta sexta-feira, 5, a temporada de convenções partidárias, eventos nos quais os partidos aprovam e formalizam a presença de seus representantes na disputa eleitoral. Desse modo, a lista de candidatos para a Presidência da República, o “grid de largada” da corrida pelo Palácio do Planalto, está definido. A pouco menos de dois meses para o primeiro turno das eleições, 11 candidatos foram apresentados pelas legendas para disputar a preferência dos eleitores.

Os partidos têm até o dia 15 de agosto para registrar os candidatos junto à Justiça Eleitoral. Vale ressaltar, entretanto, que as legendas ainda podem apresentar ou substituir candidatos até as eleições, mas apenas em situações excepcionais: se a pessoa desistir, falecer ou, ainda, tiver seu registro indeferido ou cancelado. Nesses casos, a legenda pode apresentar outro nome até 20 dias antes do primeiro turno, marcado para 2 de outubro de 2022.

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Veja quem são os candidatos:

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Lula voltou ao jogo eleitoral por decisão do STF, após a anulação das condenações do ex-presidente pela Justiça Federal do Paraná, a mesma que abrigou por mais de 20 anos o ex-juiz Sérgio Moro. Lula atraiu o ex-governador Geraldo Alckmin para ser seu vice representando o PSB. A articulação incluiu a desfiliação de Alckmin do PSDB, sigla que ele ajudou a fundar e que costumava ser grande rival do PT. O petista conseguiu compor a maior coligação da corrida presidencial. Além do PSB, PV e PC do B (que fecharam uma federação com o PT), o grupo inclui Solidariedade, PSOL, Rede e Avante. Isso deve garantir a Lula o maior tempo de TV entre os candidatos (3 minutos e 16 segundos), além de caixa reforçado para bancar a campanha.

O ex-presidente Lula voltou à política eleitoral após ter suas condenações anuladas pelo STF.
O ex-presidente Lula voltou à política eleitoral após ter suas condenações anuladas pelo STF. Foto: Evaristo Sá/AFP

Jair Bolsonaro (PL)

Aos 66 anos, o presidente Jair Bolsonaro migrou ao PL para disputar a reeleição. Sua candidatura tem o apoio do Progressistas e do Republicanos, siglas ligadas ao Centrão e que dão sustentação ao governo no Congresso. Ele ignorou os apelos para escolher uma mulher na composição da chapa, e o candidato a vice será o ex-ministro Walter Braga Netto (PL). Pesou na escolha a confiança do presidente no amigo “à prova de traições”. Bolsonaro terá 2 minutos e 40 segundos de tempo de rádio e TV.

O presidente Jair Bolsonaro tenta a reeleição, mas figura como segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto.
O presidente Jair Bolsonaro tenta a reeleição, mas figura como segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto.  Foto: Bruna Prado/AP

Ciro Gomes (PDT)

Aos 64 anos, Ciro Gomes (PDT) caminha para disputar sua quarta eleição presidencial. Apesar de já ter sido ministro do governo petista e estar filiado a um partido considerado de esquerda, Ciro tem conduzido sua campanha com fortes críticas tanto ao ex-presidente Lula quanto ao presidente Bolsonaro. O pedetista tenta furar a polarização e é hoje o terceiro colocado na corrida, atrás de Lula e Bolsonaro. Ciro fechou uma “chapa pura”, com a vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos, também do PDT.

Ciro Gomes (PDT) aparece em terceiro lugar nas pesquisas para presidente.
Ciro Gomes (PDT) aparece em terceiro lugar nas pesquisas para presidente. Foto: Wilton Junior/Estadão

Simone Tebet (MDB)

Simone Tebet, de 51 anos, é filha de Ramez Tebet, que foi senador e presidente do Congresso, e foi criada na política. Ganhou destaque na CPI da Covid, em 2021, e foi escolhida pelo MDB e pela federação entre PSDB e Cidadania para ser o rosto de “centro democrático”, como ela mesma se define, nestas eleições. Ela terá a colega de Senado Mara Gabrilli (PSDB-SP) como candidata a vice, e recebe nesta sexta, 5, o apoio do Podemos. O União Brasil chegou a iniciar negociações com PSDB, Cidadania e MDB, mas acabou decidindo pela candidatura própria.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) disputa a Presidência pela primeira vez; ela foi a escolhida pelo MDB, PSDB e Cidadania para ser o rosto do 'centro democrático'.
A senadora Simone Tebet (MDB-MS) disputa a Presidência pela primeira vez; ela foi a escolhida pelo MDB, PSDB e Cidadania para ser o rosto do 'centro democrático'.  Foto: Dida Sampaio/Estadão

Eymael (DC)

Dono de um dos mais marcantes jingles da política nacional, Eymael, o “democrata cristão”, tenta pela sexta vez o cargo de presidente. Ele é formado em filosofia e direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Concorreu à Prefeitura de São Paulo em 1985, mas não teve votação expressiva, e foi eleito para a Câmara no ano seguinte. Como deputado, Eymael integrou a constituinte.

José Maria Eymael é conhecido por ter um dos jingles mais marcantes da política brasileira.
José Maria Eymael é conhecido por ter um dos jingles mais marcantes da política brasileira. Foto: Gabriela Biló/Estadão

Felipe d’Avila (Novo)

Felipe d´Avila tem 58 anos, é cientista político e fundador do Centro de Liderança Pública (CLP). Defensor da responsabilidade fiscal e do liberalismo econômico, é também escritor. Suas principais pautas são a defesa do liberalismo econômico, a responsabilidade fiscal e privatizações. Já foi filiado ao PSDB, e aceitou o convite para concorrer ao Planalto pelo Novo após João Amoêdo, que concorreu em 2018, desistir da disputa este ano. Seu candidato a vice é o líder da bancada do partido na Câmara, deputado Thiago Mitraud.

Para d'Avila, partido Novo deve estar unido se quiser fazer campanha pela união do País.
Para d'Avila, partido Novo deve estar unido se quiser fazer campanha pela união do País. Foto: Taba Benedicto/Estadão

Leonardo Péricles (UP)

Leonardo Péricles defende bandeiras como o combate ao racismo, a desmilitarização das polícias e a realização de uma “justiça de transição”, que responsabilize “representantes” da ditadura por seus crimes. Em 2020, Péricles, que nunca ocupou cargos públicos, concorreu como vice na chapa da deputada federal Áurea Carolina (PSOL) à prefeitura de Belo Horizonte; não foram eleitos. Péricles mora em uma ocupação urbana e coordena o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Ele e Vera Lúcia (PSTU) são os únicos negros na disputa pela Presidência da República.

Leonardo Péricles é o candidato da União Popular (UP) para o Planalto.
Leonardo Péricles é o candidato da União Popular (UP) para o Planalto. Foto: Reprodução/Leonardo Péricles

Roberto Jefferson (PTB)

Pela Lei da Ficha Limpa, o ex-deputado federal Roberto Jefferson é inelegível, mas o PTB ainda assim optou por lançar sua candidatura. Foi deputado por quatro mandatos consecutivos, de 1995 a 2007. Ele foi pivô do escândalo do mensalão, que o levou à prisão; sua pena terminou em 2019. Em agosto do ano passado, a Polícia Federal o prendeu com autorização do ministro do STF Alexandre de Moraes, no inquérito que investiga milícias digitais. Jefferson é acusado de suposta participação em organização criminosa “de forte atuação digital, com a nítida finalidade de atentar contra a Democracia e o Estado de Direito”.

Roberto Jefferson está em prisão domiciliar desde janeiro.
Roberto Jefferson está em prisão domiciliar desde janeiro.  Foto: Reprodução/PTB

Sofia Manzano (PCB)

Sofia Manzano é graduada em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, possui mestrado em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Unicamp e doutorado em História Econômica pela Universidade de São Paulo. É militante do partido comunista desde 1989.

Sofia Manzano (PCB) é militante do partido desde 1989.
Sofia Manzano (PCB) é militante do partido desde 1989. Foto: Reprodução/Sofia Manzano

Soraya Thronicke (União Brasil)

Advogada por formação, Soraya Thronicke despontou na política durante os protestos contra a corrupção entre o fim do governo Dilma Rousseff (PT) e a eleição de Jair Bolsonaro. Por se apresentar como uma liderança dos movimentos de rua, foi convidada pelo PSL, então partido de Bolsonaro, para concorrer a uma cadeira no Senado em 2018. Foi eleita pelo Mato Grosso do Sul com 373 mil votos. Integrante da bancada feminina na CPI da Covid, teve atuação destacada e acabou por se distanciar do bolsonarismo. A senadora descreve a si mesma como “conservadora nos costumes e liberal na economia”. Seu vice será o economista Marcos Cintra.

A senadora Soraya Tronicke despontou como liderança nos protestos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
A senadora Soraya Tronicke despontou como liderança nos protestos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Foto: Marcelo Chello/Estadão

Vera Lúcia (PSTU)

Vera Lúcia é sindicalista e uma das fundadoras do PSTU. Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Sergipe, a candidata concorreu à Presidência da República pela sigla em 2018. Ficou na 11ª posição entre 13 concorrentes, com 55.762 votos ou 0,05% do total. Também disputou a prefeitura de Aracaju em quatro ocasiões, entre 2004 e 2016. Além disso, concorreu aos cargos de deputada federal, em 2006 e 2014, e de governadora de Sergipe, em 2010.

Vera Lúcia foi candidata à Prefeitura de São Paulo pelo PSTU nas eleições 2020.
Vera Lúcia foi candidata à Prefeitura de São Paulo pelo PSTU nas eleições 2020. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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